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Brasil
14/12/2008 - 08h15

Ditadura "fichou" 308 mil, revelam arquivos do SNI

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RUBENS VALENTE
enviado especial da Folha a Brasília

Pesquisados com profundidade a partir de dezembro de 2005, quando foram finalmente entregues à coordenadoria regional do Arquivo Nacional de Brasília, vinculado à Casa Civil da Presidência, os arquivos do SNI (Serviço Nacional de Informações) revelam a extensão da espionagem exercida pela ditadura sobre milhares de brasileiros entre 1964 e 1985. Até então, os arquivos ficavam na própria Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

De acordo com os registros do Arquivo Nacional, 308 mil brasileiros foram fichados pela ditadura. Ao ter o nome inserido no Cada, a sigla do Cadastro Nacional do SNI, a pessoa recebia um código, precedido da letra "B" e de um número. As fichas remetem a outros arquivos, todos microfilmados. O material compreende cerca de 1 milhão de páginas sobre o dia-a-dia desses alvos da ditadura.

O trabalho do Arquivo Nacional confirmou que o SNI criou braços de espionagem por toda a máquina do Estado, dos ministérios às autarquias, passando por estatais e universidades.

A historiadora Vivien Fialho da Silva Ishaq, supervisora do núcleo dos Acervos da Ditadura e assessora técnica da coordenadoria regional do Arquivo Nacional, fez um levantamento das unidades federais que recebiam e enviavam documentos do SNI e concluiu que pelo menos 248 lugares participaram da rede de informações. "Para a época, era um sistema monumental", diz a historiadora.

A rede se valia de dois tipos de organismos: as DSIs (Divisões de Segurança e Informação), ligadas aos gabinetes dos ministros, e as ASIs (Assessorias de Segurança e Informação), criadas em outros órgãos.

O Arquivo Nacional tem trabalhado para localizar e cobrar a entrega desses acervos pelos órgãos que compunham a rede do SNI. Em outra frente, o Arquivo atende aos pedidos de brasileiros que querem conhecer a extensão da perseguição que sofreram na ditadura. As fichas do SNI só podem ser consultadas pelos próprios interessados, pessoalmente ou por procuração. Vivien e sua equipe atenderam até agora cerca de 7.000 requerimentos.

O Arquivo Nacional guarda ainda cerca de 449 caixas de documentos do Conselho de Segurança Nacional e 948 caixas da Coordenação Geral de Investigação, criada para investigar políticos da oposição e supostos atos de corrupção e desvios de servidores.

Comentários dos leitores
joão nascimento (221) 28/11/2009 14h52
joão nascimento (221) 28/11/2009 14h52
ministro paulo dos direitos humanos o sr deveria se manisfestar tambem no caso do mensalão em que houve desvio de dinheiro publico pelo partido dos trabalhadores dinheiro que podeia ser investido em que realmente e direito humano saude educação coisa que este nosso presidente não investio nada neste sete anos so pregou impunidade a corrupção e desculpas para seus companheiro continuarem com a maracutaia se manifeste tambem no caso dos cubanos , hoje eles estão querendo fazer o que foi feito no passado com a pretenção de se perpetuar no poder e censurar toda midia que fala a realidade deste governo eles govenam como se o brasil fosse um sindicato olha lula para o brasil como um pais democratico sem opinião
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Rolando Frati (102) 28/11/2009 14h13
Rolando Frati (102) 28/11/2009 14h13
Precisamos olhar o futuro, acabar com a corrupção, punir a todos que fazem negociatas com dinheiro público, sejam eles politicos, amigos ou parentes. Responsabilizar sómente maluf, Tuma e M. Col.l é brincadeira. A Anistia deve ser ampla e irrestrita para ambos os lados.
Ambos os lados tiveram interesse nessa história.
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Breno Bacci (13) 28/11/2009 13h36
Breno Bacci (13) 28/11/2009 13h36
Revanchismo? A Anistia foi a tramóia dos ditadores para não sair do poder, fingindo que saíam. Enquanto todos não forem responnsabilizados pelos crimes que cometeram, perderem todas os bens, pensões e aposentadorias, DEVOLVEREM o dinheiro que ganharam durante e depois da ditadura - esse país nunca poderá dizer que é sério. Milhões de brasileiros lutam para pagar as contas, enquanto isso, os covardes oportunidas pró-McCarthismo daqui e seus filhos nadam em rios de dinheiro manchados de sangue; os efeitos nefastos da ditura perduram até hoje. Estão infiltrados na política, na vida púbica, nas empresas, na mídia, na polícia, no Judiciário... O tipo de mentalidade maníaca continua a impedir uma mudança de mentalidade. Como diria o próprio Maluf: "Bandido bom é bandido morto" - e ele é o pior dos bandidos. Mas antes de morrer, ele e toda sua família têm que ser presos e devolver tudo que ROUBARAM do povo, inclusive a seriedade da democracia. E quem apóia essa corja sem ter, de fato, participado da carnificina, que fiquem à vontade para acompanhá-los no banco dos réus. 3 opiniões
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