Brasil
15/12/2008 - 17h10

AI-5 foi produto da convergência de grupos militares divergentes, diz historiador

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THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

Apesar de o AI-5 representar o recrudecimento da ditadura quando foi publicado, em 1968, o ato não partiu de uma imposição da linha dura do Exército a setores mais liberais, mas sim de uma "convergência" de diferentes grupos que, naquele momento, sentiam-se ameaçados. A afirmação é do historiador Marcos Napolitano, doutor em história social pela USP (Universidade de São Paulo) e autor de "O Regime Militar Brasileiro (1964-1985)", publicado pela editora Atual.

Marcos Napolitano fala sobre o AI5

Segundo ele, o mito da imposição existe pela característica do AI-5, que fechou o Congresso, cerceou liberdades individuais e centralizou o poder na mão dos militares.

"Na verdade o AI-5 foi produto de uma convergência dos vários grupos militares que tinham diferenças importantes entre si, mas que, no entendimento de que naquele ano de 68 o regime era ameaçado por uma aliança de opositores civis que, num limite chegaria a guerrilha. É nessa leitura, de que o regime estava ameaçado, que houve esse recrudecimento", diz Napolitano.

O historiador também lembra que a participação de civis foi importante para a aprovação do ato. "É sempre bom lembrar que os civis foram artífices do golpe e do próprio regime. É fácil hoje dizer que foram os militares", diz.

Para Napolitano, a desvinculação dos civis com o golpe representa uma "armadilha" da história. "Tem uma armadilha nesse tipo de memória, porque na verdade é uma espécie de álibi para os civis que apoiaram o golpe, que conspiraram contra um governo eleito e que inclusive foram beneficiários do processo de modernização."

Legalidade

A intenção com o AI-5, explica o historiador, foi tentar dar alguma legalidade ao regime no processo de centralização que começou com o AI-2, de 1965.

Para ele, o país já teve diversas chances de resolver as diferenças sociais deixadas pelo regime. "O regime como um todo deixou uma herança importante, que é um país moderno, mas ao mesmo tempo extremamente desigual. A República já teve muitas chances de tentar resolver isso, mas não resolveu", afirma.

Comentários dos leitores
Leandro Gomes (47) 26/11/2009 22h45
Leandro Gomes (47) 26/11/2009 22h45
Só pelo ex-chefe do DOPS ser senador por São Paulo e o Paulo Maluf o deputado federal mais votado já dá pra saber que o país não é sério.
E justamente pelo país não ser sério que nenhum dos dois será punido.
sem opinião
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Eduardo Facchini (1) 26/11/2009 20h55
Eduardo Facchini (1) 26/11/2009 20h55
Nem tenho uma opinião definida sobre essa "ação civil pública ajuizada", e de fato talvez seja fora de hora. Comecei a ler os comentários dos leitores e aí sim, fiquei abismado, gente defendendo a Ditadura, como regime "ideal"... Gente falando besteira e elogiando o AI-5.
Eu sempre soube que tem muito maluco no Brasil, mais achei que eles eram mais retraídos e não se expunham tanto, estou vendo que estava equivocado e a coisa é bem pior.
Li um comentário de um leitor, de codinome Blade Runner que mais chamou minha atenção então transcrevo: "Esse fórum é assustador...Tentar defender o AI-5, ou os militares, guardadas as diferenças estruturais das corporações defendidas, é como defender a Klu-Klux-Klan...Tenho calafrios quando leio os apologistas dos militares..."
E por último gostaria de dar um conselho ao editor da folha, mesmo sabendo ser antiético, não dê espaço prá esse "povo" falar não... Já que eles gostam de DITADURA, mandem-nos escreverem receitas de bolo.
1 opinião
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Marido e mulher devem previnir-se, porque sua intimidade pode entrar na berlinda da disputa eleitoral. Já escrevi que esta eleição será a mais renhida que o Brasil já viu e, por isto, a mais suja. O que está acontecendo agora é café pequeno. Imagine-se que que virá com as pesquisas próximas à data da eleição. Quem disse que a justiça tarda mas não falha não advoga neste país abençoado por Deus e pela impunidade!!! sem opinião
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