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Brasil
15/12/2008 - 19h04

Movimentos de ex-presos políticos vão a Brasília por punição a torturadores

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THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

Está previsto para acontecer na próxima quarta-feira (17) uma manifestação na praça dos Três Poderes, em Brasília, pela abertura dos arquivos secretos da ditadura e pela punição aos torturadores da época. A manifestação reunirá movimentos de ex-presos políticos de todo o país.

O objetivo, segundo Ivan Seixas, do Fórum dos Ex-Presos Políticos do Estado de São Paulo, é entregar uma carta "exigindo" a abertura dos arquivos e a punição aos torturadores ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Segundo Seixas, a expectativa é reunir cerca de 300 manifestantes afim de pressionar o governo e o judiciário a aprovarem as medidas necessárias para que os dois temas sejam levados adiante.

Presente em evento sobre os 40 anos do AI-5 na semana passada, o ex-deputado federal Airton Soares, preso durante a ditadura militar, afirma que a manifestação de quarta deveria se transformar em uma vigília, nos moldes do que realizam as Avós da Praça de Maio, na Argentina.

"O presidente [Lula] quer resolver a questão, quer a verdade, mas falta a sociedade dar a ele o apoio e a pressão necessária para que ele consiga romper algumas amarras", afirma, justificando a manifestação.

Segundo o ex-deputado, o tema é evitado no Congresso, que ignora o assunto para não entrar na polêmica. "Hoje em dia no Congresso há parlamentares que têm ligação com esses movimentos [de ex-presos políticos], mas que não sentem a pressão desse movimento. Ou, se sentem, fingem que não é com eles", diz Soares.

Polêmica

O impasse sobre a punição aos torturadores da ditadura militar ganhou força este ano depois que integrantes do governo divergiram publicamente sobre mudanças na Lei de Anistia. A discussão sobre a prescrição dos crimes de tortura cometidos durante o regime colocou em posições opostas os ministros Tarso Genro (Justiça), Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e o advogado-geral da União, José Antonio Toffoli.

Enquanto Tarso e Vannuchi consideram que os torturadores do período da ditadura militar não devem ser beneficiados pela prescrição dos crimes, a AGU elaborou parecer informando que atos de tortura cometidos no regime militar foram perdoados pela Lei da Anistia. A AGU chegou a elaborar parecer com sua posição, mas decidiu revisar o texto depois da polêmica provocada no governo.

Em relação à abertura dos arquivos da ditadura, o governo adiou para janeiro o lançamento do programa Memória Viva --que dará acesso público aos arquivos do período militar.

A Casa Civil afirma que, embora esteja tudo pronto para que os arquivos possam ser disponibilizados, a proximidade com o fim do ano e o período de recesso atrapalharia uma maior divulgação do tema.

Comentários dos leitores
Janio Cacau (3) 06/12/2009 13h42
Janio Cacau (3) 06/12/2009 13h42
Infelizmente é assim que funciona o poder e a mídia a reboque.
Criam fatos para tirar a atenção de outros mais importantes no momento.
Se vamos desenterrar defundos e punir os culpados, acho que deveriamos fazer na totalidade.
Quem se posicionol contra o regime militar, querendo implantar a ditadura deles (hoje conseguiram), também deveriam ser julgados e punidos.
Assassinatos em nome da causa (por isso defendem o batisti), roubos, sequestros, etc, também tem que ser punido.
Ou esquecemos tudo e vamos cuidar de punir os corruptos que pululam as pencas ou vamos julgar e punir os dois lados da refrega.
O Jair Bolsonaro é que tem razão.
sem opinião
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bruno oliva (1) 03/12/2009 11h02
bruno oliva (1) 03/12/2009 11h02
O ridículo e a demência é ver pessoas preocupadas em distrair a população ignorante com assuntos desses, enquanto outros estão aí a roubar.
Acredito que alguns assuntos do passado tenham que ser investigados, mas francamente, ninguém está a perceber que isso é golpe político contra o Maluf?!?!?
Bruno Oliva
1 opinião
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Breno Bacci (14) 29/11/2009 19h29
Breno Bacci (14) 29/11/2009 19h29
Sr. Alcides: "É triste ver estruturas publicas em vez de estarem cumprindo com suas funções de trabalharem para o bem estar social da Nação[...]"___________________Poderia, por gentileza, me explicar como combater a impunidade, ainda que de crimes cometidos há 40 anos atrás, é trabalhar contra o bem-estar social da Nação? A menos que o sr. considere que assassinato não seja crime - na minha opinião matar alguém é crime, seja guerrilheiro do Araguaia ou seja capitão do exército. Na minha análise subjetiva, no entanto, quando o autor do crime ocupa um cargo público que deveria zelar pela nossa segurança, isso seria um agravante - e acredito que o Código Penal compartilha essa minha visão. Não me incomodo se ambos os lados da luta da ditadura receberem a mesma pena, embora ache que os amiguinhos da Junta deveriam ser punidos mais severamente. Afinal, a motivação deles foi receber propina da CIA anti-comunista. A dos guerrilheiros era uma sociedade mais igualitária - ainda que o Lula agore nos prove que era tudo história pra boi dormir. Nem faço tanta questão de cadeia. Afinal, acredito que o povo brasileiro teria muito mais a ganhar se a Eucatex do sr. Maluf fosse substituída por uma empresa cujo dono não tenha ajudado a acorbertar "desaperecimentos" políticos. Não vejo como recompensar a violência e o extermínio da liberdade de expressão possa ser benéfico para a massa pobre do nosso país. Ao tapar os olhos, quem sai ganhando? 2 opiniões
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