Aldo Rebelo, Ciro Nogueira e Milton Monti lançam candidaturas à presidência da Câmara
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Os deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Milton Monti (PR-SP) lançaram oficialmente nesta quarta-feira suas candidaturas à presidência da Câmara em um ato conjunto que tem como objetivo evitar a vitória do peemedebista Michel Temer (PMDB-SP) para o comando da Casa.
Os três decidiram se unir diante da esperada vitória de Temer --que reúne o apoio da maioria da base aliada governista e de partidos da oposição.
A estratégia dos parlamentares com as triplas candidaturas é atrair, para o grupo, votos que seriam anteriormente contabilizados para Temer --na esperança de forçarem o segundo turno com o peemedebista. No eventual segundo turno, os três deputados prometeram apoio mútuo àquele que conseguir chegar à disputa.
"O ato é um compromisso estabelecido entre as nossas candidaturas pela democracia na Casa, a soberania dos parlamentares na escolha do seu presidente. Sabemos que, em qualquer dessas três candidaturas, esses compromissos vão estar representados", disse Aldo.
Ex-presidente da Casa, o deputado disse que a principal diferença entre as candidaturas de Temer e do grupo dos três parlamentares é a maneira como foram criadas. "Eu creio que uma candidatura nasce nos partidos, mas principalmente na representação dos parlamentares. A outra [de Temer] nas das cúpulas partidárias, mas não corresponde aos anseios da Casa no que diz respeito à sua soberania", afirmou.
Nogueira, por sua vez, disse que "fatores externos" não vão influenciar os três candidatos que se uniram para disputar a presidência da Casa --num recado indireto ao Palácio do Planalto, que apóia candidatura de Temer.
"Aqueles que temiam o debate, vão ter que enfrentá-lo. A Casa tem sérios problemas, que têm que ser resolvidos pelos deputados. Não são acordos externos da Casa que irão determinar quem é o próximo presidente. O regimento assegura qualquer um dos seus 513 parlamentares a pleitear a presidência da Casa", disse o deputado do PP.
Assim como Nogueira, Aldo afirmou que as candidaturas de deputados da base aliada do governo --o que inclui Temer-- não representam a interferência do governo no Legislativo independentemente de quem venha a ser eleito.
Baixo clero
Os três candidatos negam o rótulo de representantes do "baixo clero", embora representem partidos minoritários na Casa. "Não fazemos nenhuma distinção ente os representantes do povo. Os partidos têm os seus objetivos, as cúpulas dos partidos têm os seus objetivos", afirmou Aldo.
Monti, por sua vez, disse acreditar no apoio da maioria dos parlamentares às candidaturas independentes lançadas no contraponto a Temer. "Estamos reunindo vários partidos nessa nossa pretensão. A eleição da presidência da Câmara é particular, cada deputado sabe o caminho que ele deve seguir, é isso que vai acontecer."
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