Temer minimiza candidaturas adversárias e diz que não mudará estratégia de campanha
MÁRCIO FALCÃO
colaboração para a Folha Online, em Brasília
A iniciativa dos deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Milton Monti (PR-SP) de lançarem oficialmente nesta quarta-feira suas candidaturas à presidência da Câmara não trouxe preocupação ao deputado Michel Temer (PMDB-SP). O peemedebista afirma que não vai alterar a estratégia que traçou para chegar ao comando da Casa e diz que o movimento dos governistas representa o reconhecimento de seu cacife político na disputa.
Com discurso conciliador, Temer reconhece que o melhor seria que não houvesse outras candidaturas na base, mas acredita que a disputa pode ser resolvida ainda no primeiro turno. O motivo: o apoio de dez partidos, entre governistas e oposicionistas. "Nós temos um apoio muito bem costurado. Temos uma proposta clara de fortalecimento da Câmara, portanto, não há porque pensarmos em mudar a maneira que vínhamos trabalhando", disse Temer.
O rol de apoiadores ainda deve crescer. O PR, mesmo partido de Monti, promete anunciar na tarde de hoje a recomendação de voto favorável a Temer. No lançamento das triplas candidaturas, os deputados justificaram que a idéia do grupo é conquistar votos que seriam anteriormente contabilizados para Temer e forçarem o segundo turno com o peemedebista. Como a votação é secreta, os três deputados avaliam que o apoio fechado pelas cúpulas dos partidos em torno do peemedebista não se reverte necessariamente em votos.
Após a confirmação das candidaturas, Temer participou de um almoço com lideranças do partido na Câmara para avaliar o novo cenário. No encontro, os peemedebistas consideraram fundamental o aval do DEM, PSDB e PPS e devem utilizar esta mobilização como argumento para convencer governistas. A avaliação é de que com o apoio da oposição, Temer conquistou o primeiro grande entendimento de 2009 que será fundamental para enfrentar a crise financeira internacional que deve apresentar reflexos mais significativos no próximo ano.
Ficou definido ainda que em janeiro, como os parlamentares estarão em recesso parlamentar, Temer deve retomar visitas as bases eleitorais, na tentativa de se aproximar de deputados do baixo clero --parlamentares considerados de pouca expressão-- que devem ser o fiel da balança na disputa. A primeira viagem programada é para Minas Gerais. "As plataformas de todos os candidatos são muito parecidas, então, vamos mostrar o nosso diferencial. O apoio da oposição é muito importante e vai ser utilizado ao nosso favor", disse o vice-líder do PMDB, Rodrigo Rocha Loures (PR).
O vice-líder reforça a experiência política de Temer para ganhar a simpatia de seus pares. "Temos ainda a experiência de Temer, que por ser ex-presidente da Casa, foi testado e aprovado. Hoje, os deputados têm consciência que o Legislativo precisa recuperar a sua autonomia e que diante da proximidade do processo eleitoral de 2010 a Câmara, o Congresso, vai precisar no comando de uma figura centrada e articulada politicamente", afirmou o vice-líder.
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