Publicidade

Publicidade
Brasil
18/12/2008 - 17h35

Tarso condena espetacularização de ações e reage ao excesso de escutas

Publicidade

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Sem citar nominalmente o delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, o ministro Tarso Genro (Justiça) criticou nesta quinta-feira os policiais que transformam em espetáculo as ações policiais. Ele também condenou as operações policiais que perdem o foco nas investigações e o excesso de escutas telefônicas como método de apuração.

"Nós temos que cada vez mais aprimorar os nossos métodos de investigação para que nossos inquéritos não se tornem inquéritos sobre o mundo, sobre a vida e tudo que acontece", disse Tarso ao analisar as atividades da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a PF.

Tarso afirmou ainda que não cabe ao policial julgar os atos dos denunciados, que esta é uma atribuição da Justiça, pois há situações, como os maus costumes da política, que podem se confundir com ilegalidades.

"No inquérito que não tem foco, às vezes, o policial pode confundir maus costumes da política com ilegalidades e com crime. Isso às vezes pode ocorrer. Uma policia judiciária da união pode se tornar uma polícia política. O foco no inquérito tem que ser cercado no inquérito para que tenha resultados depois", disse o ministro.

Durante a Operação Satiagraha, conduzida por Protógenes, o governo federal foi criticado pela exposição dos denunciados e a forma espetacular que tratou as investigações. O delegado foi punido com o afastamento do comando da operação. Sem citar o nome do policial, o ministro reiterou que sobre o risco de banalização nas ações da PF.

Banalização

"[É importante estar atento para a] não banalização das ações da Polícia Federal, como se essas ações fossem espetáculos cinematográficos, isso nada tem a ver com as ações da imprensa, que tem o direito de correr atrás do furo", disse Tarso.

O ministro disse que transformar em espetáculo os atos policiais pode gerar prejuízos à sociedade.

"Mas tem a ver com uma preocupação nossa, como vinham sendo feitas, [as ações] podem gerar dois prejuízos: a eventual punição antecipada --as vezes a gente sabe que a pessoa merece mas não temos a sentença judicial-- e a exposição pública de uma pessoa de uma maneira ostensiva vale para um julgamento. A pessoa tem que ter a oportunidade de colocar a mão sobre seu rosto, uma pasta, e de não ser exposta."

Tarso negou que o país viva um Estado policialesco. "Essa visão de prevenir que nós não queremos um Estado policial, acho normal e saudável. Mas nenhuma das polícias [Rodoviária Federal e Polícia Federal] pelas ações que fizeram merecem ser apontadas como contributivas de um Estado policial no Brasil", afirmou ele.

O ministro reiterou que um Estado policial é completamente diferente de um Estado democrático.

"Não há Estado policial no Brasil. Estado policial haveria se a polícia agisse à revelia do governo e das estruturas de controle do Estado, coisa que não acontece. Estado policial não tem habeas corpus. Estado policial, as polícias torturam. Nunca houve uma acusação contra essas duas polícias durante o ano. No Estado policial, a polícia substitui os demais Poderes do Estado e se torna o quarto Poder."

"É uma preocupação que nós temos e que será bem respondida se o Congresso aprovar o projeto de lei que vai orientar o comportamento dos agentes e reduzir os casos de interceptação aos casos necessários. A ação do agente é que é essencial para o bom agente."

Comentários dos leitores
tarcisio saraiva gondim (2) 10/12/2009 12h30
tarcisio saraiva gondim (2) 10/12/2009 12h30
Esta de parabens a operação realizada pela Policia Federal nos municipio do Aquiraz, Euzebio e Guaramiranga. Oque vemos hoje é o grau de indiganação de toda populção desses municipios alem da vergonha, de ver em manchetes jornalistica a participação de homens que pensavamos serem de bem, e hoje cai a mascara de varios deles. Que essa operação não se extinga agora, pois sabemos que são muito mais os nomes de pessoas que provavelmente possam fazer parte deste esquema tão bem arquitetado. sem opinião
avalie fechar
Romanov severo (1) 08/12/2009 20h37
Romanov severo (1) 08/12/2009 20h37
sou um cidadão residente de Eusébio, uma das cidades vítimas desta vergonha. os políticos daqui posam de bons moços, mas revelam o nível e o valor de sua existencia com este comportamento que cabe apenas aos ratos, que espero que não se ofendam com a comparação!!!!!!!! 1 opinião
avalie fechar
Francisco Feitosa (26) 08/12/2009 19h45
Francisco Feitosa (26) 08/12/2009 19h45
A oposição rouba e queria acusar o PT de praticar o que eles jafaziam a muito tempo porém não provaram nada contra o PT mas cotinuaram as práticas qeu lhes eram de costume mas só que foram pegos com a boca na butija e agora estão sem saber o qeu fazer por que eles foram vítimas das acusações qeu eles faziam aos outros. ou seja quem com o ferro fere com fero será ferido 2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (383)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca