Itagiba critica Tarso por ser evasivo ao tratar de escutas realizadas pela Polícia Rodoviária
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente da CPI das Escutas Telefônicas, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), criticou nesta quinta-feira o fato de o ministro Tarso Genro (Justiça) ter sido "evasivo" ao tratar sobre a utilização de escutas por integrantes da PRF (Polícia Rodoviária Federal). Segundo Itagiba, apenas a polícia judiciária está autorizada a fazer escutas telefônicas.
"Não há dúvidas de que ele [o ministro] foi evasivo", afirmou Itagiba. O deputado disse que a explicação sobre a legalidade das escutas não justifica sua realização. "Houve uma usurpação [por parte da PRF]."
Em depoimento à CPI, Tarso disse que a PRF tem equipamentos para realizar escutas telefônicas. Mas não entrou em detalhes. Para Itagiba, o projeto final, que será elaborado pela comissão, deve constar a proibição desses equipamentos por polícias que não sejam judiciárias.
O ministro, durante a sessão da comissão, destacou que as escutas realizada pela PRF foram todas legais e com autorização da Justiça. Mas para Itagiba não há justificativa. Segundo ele, não faz parte das atribuições da PRF realizar escutas.
Tarso prestou esclarecimentos à comissão por cerca de duas horas e meia. Aos deputados, o ministro negou ter acesso a informações sigilosas sobre os casos relativos à Operação Satiagraha e a escuta que envolveu o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Ao lado de Tarso, durante o depoimento, estava o delegado da Polícia Federal Roberto Troncon, diretor de Combate ao Crime Organizado da PF. Ao ser questionado sobre os inquéritos que investigam o vazamento de dados da Satiagraha e também a escuta da conversa entre o ministro e o senador, o policial analisou cada situação.
De acordo com Troncon, o inquérito que trata da conversa de Mendes com Demóstenes deverá ser prorrogado, embora o prazo final fosse janeiro. Já o inquérito sobre o vazamento deverá ser concluído no começo de 2009.
O ministro afirmou também que considera pouco provável identificar os autores da suposta escuta telefônica. Para Tarso, existe atualmente no país "uma verdadeira privatização da arapongagem" o que dificulta a identificação dos responsáveis pelas escutas. O depoimento de Tarso ocorreu em uma sala, do Ministério da Justiça, e foi realizado a portas abertas.
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