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Brasil
19/12/2008 - 15h58

Mendes diz que falta de ação política do Congresso leva o Judiciário a legislar

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MÁRCIO FALCÃO
colaboração para a Folha Online, em Brasília

Alvo de inúmeras acusações por parte de deputados e senadores de que o STF (Supremo Tribunal Federal) estaria legislando, o presidente da Suprema Corte, ministro Gilmar Mendes, rebateu as críticas nesta sexta-feira afirmando que é a falta de ação política do Congresso que leva o Judiciário a legislar.

Gilmar Mendes usou declaração do ex-presidente do STF e atual ministro da Defesa, Nelson Jobim, para avaliar a omissão do Legislativo. "O Supremo não saí buscando as demandas. Só vêm por provocação do conflito político. Jobim, inclusive, não se cansava de observar que a judicialização da política decorre das desinteligência dos próprios políticos", afirmou Mendes.

Judiciário e Congresso entraram em rota de colisão, ao longo deste ano, na análise de vários temas, como a questão da fidelidade partidária, uso de algemas, situação dos políticos ficha suja, entre outros casos.

Um dos embates que mais chamou atenção ocorreu com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O embate foi provocado porque Mendes cobrou um posicionamento do Congresso sobre a regularização de 57 municípios que foram criados quando o Congresso aprovou a EC (Emenda Constitucional) 15, de 1996, que passou a exigir regulamentação federal para criação de municípios --antes, exigia-se regulamentação por lei estadual.

A Suprema Corte deu até novembro o prazo para a Câmara resolver a pendência. Chinaglia considerou exagero a fixação de um prazo. Chegou a dizer que não tinha pressa, mas tratou de criar uma comissão especial para finalizar a lei regulamentando a criação dos novos municípios. A matéria, que é uma PEC (Proposta de Emenda a Constituição), acabou aprovada nesta semana pelo Senado.

Mesmo com a alfinetada, Mendes garante que mantém uma relação saudável com o Congresso. "Estamos fazendo um diálogo de alto nível, com bastante cuidado. O STF respeita a competência do Congresso Nacional. Sabemos que não há democracia sem atividade do poder Legislativo e sem políticos", disse Mendes.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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