Lançamento do 1º Emprego pode ser adiado
da Folha de S.Paulo, em BrasíliaO Primeiro Emprego, próximo programa social de peso do governo, que seria anunciado no dia 1º de maio, está com a data de lançamento ameaçada. "Ainda estamos decidindo. Vocês [jornalistas] saberão na hora certa", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem pela manhã, ao deixar o Palácio do Alvorada.
A assessoria do Planalto disse que a data de lançamento jamais havia sido anunciada. Só que a equipe do ministro Jaques Wagner (Trabalho) já considerava a data como certa. E no dia 4 de abril, Lula mencionou, em ato público em Belém (PA), a data de 1º de maio como lançamento do projeto.
Assessores do Ministério do Trabalho afirmaram que o governo hesita lançar um programa de grande porte na mesma semana em que planeja enviar ao Congresso Nacional o texto das reformas tributária e previdenciária.
Seria muita informação para ser digerida pela sociedade, já que as reformas estão sendo divulgadas em campanha publicitária nacional e o mesmo está planejado para ocorrer com o programa de emprego.
Outro motivo é a falta de dinheiro. A equipe econômica ainda não bateu o martelo sobre quanto vai disponibilizar para o programa. Na primeira versão do projeto- apresentada a secretários de Estado do Trabalho, no dia 9 passado- as empresas que empregassem jovens receberiam incentivos fiscais. Só que a Fazenda recusou essa proposta.
A contraproposta apresentada pelo titular da pasta, Antonio Palocci, ao ministro Jaques Wagner é que o governo pague um salário de R$ 240 mensais aos beneficiados, cabendo às empresas arcar com os impostos trabalhistas.
A Fazenda ainda não fechou questão sobre quantos serão atendidos nesse primeiro ano: os números oscilam de 100 mil a 300 mil pessoas de 16 a 24 anos, o que custaria R$ 24 milhões ao governo se for batido o martelo na primeira opção.
Quando a proposta de renúncia fiscal ainda estava sendo discutida a equipe de Wagner falava em atender até 500 mil jovens nesse primeiro ano. A assessoria de Wagner não sabe se a proposta da renúncia fiscal ou da concessão de créditos tributários será rediscutida pela Fazenda.
O custo do salário a ser pago aos jovens nem é tanto se comparado a quanto o governo precisará desembolsar para financiar a qualificação dos operadores do programa e os próprios beneficiados.
Ontem, Wagner reuniu-se com representantes de 30 grandes empresas, como Avon, Nestlé, Grupo Pão de Açúcar, Banco Santander, Shell e Sadia. O ministro estimulou a participação das empresas no programa, apesar de o governo ter recuado em relação à concessão de benefícios fiscais.
Hoje, Wagner viajará para Recife com o presidente Lula, ocasião em que pretende acertar os últimos detalhes do programa e a data de lançamento.
Uma das opções que Wagner apresentará ao presidente é a de lançar em 1º de maio o projeto de lei criando o programa. Depois disso, ele seria enviado para o Congresso. O governo aproveitará o tempo que ele será discutido e aprovado na Casa para fazer os ajustes finais.


