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Brasil
31/12/2008 - 08h23

Ministros participam de confraria que furtou sino de universidade gaúcha

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GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre

Ao longo dos últimos 40 anos, ministros, juízes e advogados militam em uma confraria dedicada a esconder um sino furtado da faculdade de direito da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Entre os membros da chamada Ordem do Sino estão o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e atual ministro da Defesa, Nelson Jobim, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, Ari Pargendler, e o corregedor do Conselho Nacional de Justiça, Gilson Dipp.

Arquivo Pessoal
Sino de bronze furtado por formandos da turma de 1968 de universidade gaúcha
Sino de bronze furtado por formandos da turma de 1968 de universidade gaúcha

O sino de bronze, cujas badaladas marcavam o início e o fim das aulas na faculdade, foi surrupiado pelos formandos da turma de 1968 e desde então circula entre os ex-alunos, que se recusam a devolvê-lo ao patrimônio da universidade.

Em 1978, dez anos após a formatura da turma, a Ordem do Sino ganhou até um estatuto --que considera o produto do furto "símbolo da turma" e estabelece uma liturgia de alternância anual na guarda do sino.

Todos os anos, durante um jantar comemorativo em novembro, a peça troca de mãos. Segundo a advogada Maria de la Luz Kramer, que faz parte da ordem, o critério para ter o privilégio de esconder o sino da faculdade é o maior número de participações nos jantares anuais dos ex-alunos de 68.

Nelson Jobim furou a fila em 1997. Menos assíduo do que outros egressos, recebeu a "honraria" logo após se tornar ministro da mais alta corte do país. Amigos de Jobim contaram à Folha que ele guardava o sino no seu gabinete no STF.

Pargendler já foi "agraciado" em 1988. Dipp, com retrospecto de oito jantares de ex-alunos, ainda aguarda sua vez.

Arquivo Pessoal
Foto de 1998 mostra Nelson Jobim (bigode), hoje ministro, com a mão sobre sino
Foto de 1998 mostra Nelson Jobim (bigode), hoje ministro, com a mão sobre sino

"Não devolveremos o sino até que haja apenas um sobrevivente da nossa turma", diz o advogado Paulo Wainberg, 64, que guardou o sino até o final de novembro. Dos 93 formandos de 1968, 16 já morreram.

Os integrantes da Ordem do Sino minimizam a subtração do bem público. Wainberg prefere usar o vocábulo "empréstimo" a furto para designar a posse do objeto.

"Esse sino tem a história de uma das turmas mais brilhantes da faculdade. O roubo em si ficou em segundo plano. É uma história de união, somos a única turma que se reúne todo ano", defende Kramer.

Durante muito tempo, a "maçonaria" do sino guardou segredo sobre os nomes dos autores do furto. A façanha é atribuída ao ex-chefe da Casa Civil do governo Alceu Collares (1991-1994), Conrado Alvares, morto em 1992.

Ontem à tarde, a Folha confirmou que o sino furtado está em Porto Alegre, na casa do juiz aposentado Elvo Pizzato.

A peça de bronze, com cerca de 30 centímetros de altura e 10 quilos, traz gravados os nomes dos que já a esconderam.

Pargendler se recusou a comentar o caso. A reportagem não localizou Jobim nem Dipp.

Comentários dos leitores
Marcio Fontes (21) 18/12/2009 15h59
Marcio Fontes (21) 18/12/2009 15h59
O Sr. Gilmar Mendes deveria fazer mais pelo Estado brasileiro do que vem falando, vemos quase que diariamente corrupção, desmando, abuso de poder e outros penduricalhos e ele vem salvando as autoridades a todo custo. Rabo preso é isso que dá. sem opinião
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jucelino kopeski (223) 17/12/2009 11h53
jucelino kopeski (223) 17/12/2009 11h53
Sugestão de reportagem :onde estão os dois primeiros colocados atualmente daqueles concursos para juiz que o Ministro levou bomba. sem opinião
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Alcides Emanuelli (1973) 15/12/2009 23h07
Alcides Emanuelli (1973) 15/12/2009 23h07
Esse é o perfil de nossos homens publicos, são governadores e ministros se agredindo com palavras de baixo calão, com ofensas morais de ambas as partes.
No Parlamento eles se agredem sem saber o que estão fazendo, sai palavra e ofensas para todos os lados, é Sarney que briga pelo poder com seus adversários, é o color com a fisonomia transforma e transtornado agredindo violentamente e mandando o Pedro Simon digerir suas palavras, é sem limites mesmo os limetes da ética, mas eles estão ai mesmo, sempre reeleitos, sempre no Poder e do poder não fazendo nada para o povo e sim de acordo com seus interesses.
O que eles aprovam, mais 8000 mil vagas para 8000 mil malandros nas casas legislativas das cidades.
É a liberação da obstrução que a ficha suja poderia gerar na impossibilidades de se candidatarem, eles não aprovaram agora o cara pode ser ladrão devedor de todos os lados que pode ser candidato e o povo coitado sempre esperando por seriedade, honestidade e ética.
Antes eles até que falavam nisso, mas o tempo foi passando e eles esqueceram que existe algo como ética e moral na vida de um cidadão
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