Tião intensifica campanha pela presidência do Senado e diz ter 52 dos 81 votos
MÁRCIO FALCÃO
colaboração para a a Folha Online, em Brasília
A menos de um mês das eleições no Senado, o petista Tião Viana (AC) intensifica sua campanha pela presidência da Casa. Da sua residência em Rio Branco, o senador tem disparado correspondências e telefonemas para todos os colegas eleitores. Otimista, Tião disse à Folha Online que "já conta com 52 votos a seu favor".
Em busca do apoio de governo e oposição, o petista, que tem como cabo eleitoral o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, distribuiu uma carta nesta segunda-feira aos demais 80 senadores pedindo votos.
No texto, Tião apresenta sua plataforma e garante que vai brigar para emplacar uma agenda positiva para o Senado, capaz de estabelecer um novo estilo de relacionamento entre os senadores.
Sem querer revelar os apoios dos partidos costurados em torno de sua candidatura, o senador afirma que reuniu votos nos principais partidos da base --inclusive do PMDB, que lançou o senador Garibaldi Alves (RN) à reeleição-- e em setores do PSDB e do DEM. "Estou bastante animado. Construí uma campanha com bastante consistência e ainda por cima suprapartidária", disse Tião.
Estratégia
A estratégia adotada para conquistar votos, sustenta o petista, é avaliar as reivindicações individuais dos parlamentares e consolidar uma proposta com medidas que sejam responsáveis por recuperar o ritmo próprio do Senado, uma das principais exigências dos senadores.
O petista evita polemizar o fato de seu adversário, o atual presidente da Casa, tentar garantir sua participação na disputa com o respaldo de pareceres jurídicos, uma vez que regimento da Casa não permite a reeleição do presidente na mesma legislatura. Para Tião, os "senadores saberão escolher o melhor para o futuro comando do Congresso".
Lideranças do PT, no entanto, saem em defesa de Tião e dizem que não descartam recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a candidatura de Garibaldi. Por outro lado, o peemedebista argumenta que assumiu o cargo na vaga do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para um "mandato tampão", e isso lhe daria o direito de concorrer novamente.
Além disso, justifica que Viana também ficou dois meses como presidente do Senado, no período do escândalo que provocou a saída de Renan. "Nós não descartamos nenhuma hipótese, mas, a princípio, o mais importante é termos um clima de conciliação no Senado", afirmou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).
Assim como Garibaldi, Tião só desembarca em Brasília na próxima segunda-feira, quando pretende procurar senadores que ainda sinalizam que estão indecisos.
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