Candidatos à presidência da Câmara aproveitam posse de suplentes para pedir votos
MÁRCIO FALCÃO
colaboração para a Folha Online, em Brasília
Os quatro candidatos à presidência da Câmara transformaram em palanque político a cerimônia de posse de 11 novos deputados --todos suplentes que vão substituir parlamentares que desde 1º de janeiro que assumiram prefeituras ou secretarias municipais.
Com fartos apertos de mão e palavras de encorajamento, os deputados Michel Temer (PMDB-SP), Aldo Rebelo (PC do B-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR), aproveitaram o evento para pedir voto aos colegas eleitores.
Simpáticos, falantes e receptivos, Temer, Aldo, Ciro e Serraglio fizeram questão de prestigiar o evento e cumprimentar um por um dos novos parlamentares. "Sempre estamos pedindo votos. É importante esse contato com os colegas", disse Ciro.
Aldo destacou que em meio a uma eleição apertada e com o cenário indefinido, a conquista de qualquer voto é importante, como será a disputa para a presidência da Câmara, todo esforço é válido. "Temos que conversar com todos os deputados. Queremos levar a disputa para o segundo turno", afirmou.
Temer tentou desconversar sobre o real motivo de sua presença na posse dos suplentes, dizendo que apenas quis dar as boas-vindas e continuar o trabalho que tem feito para consolidar sua campanha.
"Se não me engano, fui o único candidato a visitar cada um dos 513 gabinetes. Então, não tem porque não estar presente neste evento", disse o peemedebista. Serraglio foi discreto, mas confirmou que estava atrás de votos.
Gastos
Só para empossar os suplentes em período do recesso parlamentar --que acaba no dia 31--, a Câmara vai gastar mais de R$ 70 mil --dos quais R$ 16,5 mil de salário, além de verba de gabinete de aproximadamente R$ 60 mil, mais verba indenizatória no valor de cerca de R$ 15 mil, além de cota postal de R$ 4,200 e auxílio-moradia de R$ 3.000.
Os 11 novos parlamentares também poderão requerer a liberação da cota de passagens áreas que dependendo do Estado do parlamentar varia de R$ 8,500 a R$ 16,9 mil e reembolso com gasto telefônico de até R$ 5.000.
A posse dos suplentes recebeu críticas por causa do gasto que seria desnecessário, uma vez que a Câmara está de férias. Mas o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), defendeu a decisão de empossar os novos parlamentares informando que se trata de "uma obrigação constitucional".
Segundo Chinaglia, a Câmara tem o prazo de 48 horas para convocar os suplentes para tomarem posse depois da vacância do cargo. "Se um dia entendermos que deve ser diferente, temos que discutir a alteração da Constituição", afirmou o petista.
Os novos parlamentares reconhecem o mal-estar, mas também lançam mão do regimento para se defender. "É uma imposição regimental. Se eu não assumisse agora perderia a vaga para o segundo suplente", disse o deputado Capitão Assunção (PSB-ES).
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