Lupi rebate Aldo e defende Temer para a presidência da Câmara
RENATA GIRALDI
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) reiterou nesta quarta-feira que o PDT deverá fechar apoio à candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara. Para o ministro, a participação do PDT no "bloquinho" de esquerda não representa a garantia de apoio incondicional à candidatura deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), que também disputa o comando da Casa.
Para Aldo, a interpretação é outra: o PDT iria apoiá-lo e Lupi negociou a troca por Temer. Ontem, o deputado criticou Lupi e Temer. "Aqueles que imaginam que apoio da cúpula e ministerial resolve eleição, podem se surpreender com o resultado", disse Aldo.
"Essa declaração me surpreende porque ele [Aldo] como dirigente partidário sabe que quando o partido decide todos são obrigados a cumprir com aquilo. Nós fazemos parcerias e discutimos com a base para decidirmos conjuntamente, mas no voto vamos ver o que vai acontecer", afirmou Lupi.
Nos últimos dias, Lupi se reuniu com Temer e assegurou que o PDT deverá abandonar o bloco das esquerdas --que reúne PDT, PSB, PC do B, PMN e outros partidos-- e ficar ao lado do peemedebista na disputa pela presidência da Câmara. A decisão oficial do PDT deve ocorrer no dia 21 quando a bancada se reúne em Brasília.
Porém, o ministro rechaçou qualquer interpretação de troca de posição de seu partido. "Como vamos abandonar o que nunca apoiamos? Nós não declaramos apoio a ninguém. O Aldo foi candidato em outra eleição e apoiamos. Nessa [eleição] ele foi o último a se apresentar", disse Lupi.
Segundo Lupi, o melhor nome para comandar a Câmara é o de Temer. "Cada momento é um momento. Na minha opinião, o melhor para o país é a candidatura do Michel Temer porque ele é preparado e pertence ao maior partido [PMDB]. Queremos apoiar o Temer na Câmara e o Tião [Viana, do PT do Acre] no Senado. Com isso fica o PMDB na Câmara e o PT no Senado e o melhor para o país", afirmou.
A opinião do ministro é a mesma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente José Alencar. Mas no Senado os acordos políticos não chegam a um consenso em torno das candidaturas. O PT não abre mão de Tião, enquanto o PMDB já lançou oficialmente o nome do atual presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que tenta a reeleição.
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