PSB acusa Lupi de negociar apoio a Temer e saída do bloquinho sem aval da bancada
MÁRCIO FALCÃO
colaboração para a Folha Online, em Brasília
Integrante do bloco de esquerdas, o líder do PSB na Câmara, Márcio França (SP), acusou nesta quarta-feira o ministro Carlos Lupi (Trabalho) de negociar o apoio do PDT à candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara, sem contar com o aval da bancada na Casa. Segundo França, Lupi atua para atender às orientações do Palácio do Planalto, que defende a candidatura do peemedebista.
"A gente fez os contatos e há um sentimento de permanência no bloquinho [bloco de esquerdas]. Acredito que essa saída reflete apenas a vontade do ministro. Isso seria uma tentativa de agradar ao presidente Lula já que o Planalto defende a candidatura de Temer. Mas isso pode ser um movimento perigoso", disse França à Folha Online.
A sinalização de que o PDT abandonará o bloco de esquerdas formado pelo PSB, PDT, PC do B, PMN e outros partidos e o eventual apoio à candidatura do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) causou uma série de troca de acusações entre os adversários que disputam a presidência da Câmara.
No final do ano passado, os partidos que integram o bloco oficializaram o apoio à candidatura de Aldo à presidência da Câmara.
Para França, a aposta na candidatura de Temer é considerada "perigosa" porque o PMDB também insiste em ocupar a presidência do Senado. Segundo o deputado, se o PMDB vencer no Senado, o PT romperá o acordo de apoiar Temer, rachando o partido e dividindo os votos entre os demais adversários do peemedebista.
Além de Aldo e Temer, também estão na disputa pelo comando da Câmara, os deputados Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). Para França, o eventual racha do PT deverá favorecer Aldo e Ciro.
"Se acontecer essa questão do PMDB permanecer no comando do Senado, o Temer pode perder cerca de 70% dos 83 votos do PT, que se dividirão entre Aldo e Ciro", disse ele.
A eleição para a escolha do sucessor do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ocorrerá no próximo dia 2. Até 31 de janeiro, deputados e senadores estão em recesso parlamentar. Mas Temer, Aldo, Ciro e Serraglio estão em Brasília onde fazem campanha eleitoral.
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