Temer apela a Múcio para governo separar articulações às eleições na Câmara e Senado
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
MÁRCIO FALCÃO
colaboração para a Folha Online, em Brasília
Favorito na disputa pela presidência da Câmara, o deputado Michel Temer (PMDB-SP) apelou ao ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) para que o governo federal trate separadamente as eleições nas duas Casas --Câmara e Senado. Interlocutores peemedebistas informaram que, com isso, Temer espera que o impasse no Senado não contamine as negociações já fechadas por ele na Câmara.
Nos últimos dias, Temer foi duas vezes ao Palácio do Planalto. Na primeira, conversou com o vice-presidente José Alencar por cerca de uma hora. Depois, retornou ao Planalto para mais uma hora de conversa com Múcio.
Paralelamente, Temer obteve o apoio formal de 12 partidos --PMDB, PSDB, DEM, PT, PTB, PR, PPS, PV, PRB, PSC, PT do B e PHS-- e articula com o PDT. Também tem o aval do governo federal, uma vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Alencar e o ministro Carlos Lupi (Trabalho) deram declarações públicas a seu favor.
Lupi foi mais além, convencendo o PDT a abandonar o bloco de esquerda, que havia fechado o apoio à candidatura do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), para ficar com Temer. A formalização de apoio ao peemedebista deve ocorrer no dia 21.
No entanto, os adversários de Temer reclamam de suas negociações e do apoio oficial do governo a seu nome. Disputam as eleições para o comando da Câmara, além de Aldo, Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). As eleições para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado ocorrerão dia 2.
Senado
No Senado, a disputa pelo comando da Casa divide os partidos políticos. Nos últimos dias ganhou força a articulação em favor do senador José Sarney (PMDB-AP), que, de acordo com parlamentares, seria capaz de unir os partidos de oposição e governo. Mas Sarney enviou recados informando que só aceita concorrer se for aclamado como candidato único.
A negociação de Sarney será feita diretamente com o presidente Lula. De acordo com senadores que acompanham as conversas, a tendência é de serem realizadas pelo menos duas reuniões, uma já na próxima semana e outra no final do mês --quando será fechada a decisão sobre candidatura.
A interlocutores, Temer disse que quer evitar que as negociações no Senado interfiram nas articulações já fechadas por ele na Câmara, uma vez que o PT formalizou apoio ao seu nome na disputa pela presidência da Casa.
Em meio às conversas do PMDB, o PT mantém a indicação do senador Tião Viana (AC) para a disputa. Porém, aliados já informaram ao Planalto que há dificuldades entre os senadores de apoio a Tião porque o PT é a quarta bancada em número no Senado --as do PMDB, PSDB e DEM são maiores do que a do PT.
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