Disputa no Congresso atinge cargos em partidos e comando de comissões permanentes
MÁRCIO FALCÃO
colaboração para a Folha Online, em Brasília
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
A pouco mais de 20 dias das eleições para os presidentes da Câmara e Senado, parlamentares se envolvem em outras disputas internas nas duas Casas. Em jogo estão escolhas para as lideranças dos partidos políticos e dos comandos das comissões permanentes. Tradicionalmente, os líderes dos partidos negociam acordos para as indicações destinadas aos cargos de comando. Mas nem por isso a batalha política e as articulações são deixadas de lado
Deputados e senadores afirmam que as negociações se intensificaram porque 2009 será o ano preparatório para as eleições majoritárias nas quais, pela primeira vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai ser candidato. A ausência de Lula no páreo funciona como elemento extra para uma espécie de cabo de guerra entre aliados governistas e os integrantes da oposição.
Porém, a Folha Online apurou que a expectativa tanto na Câmara como no Senado é ocorram poucas mudanças em relação às lideranças das legendas. A maioria dos partidos deve manter os atuais líderes no comando. Assim como na corrida pelos cargos máximos do Legislativo, PMDB e PT é que apresentam as maiores incertezas.
Câmara
Na liderança do PT na Câmara, há habitualmente um rodízio entre os parlamentares. A briga para a sucessão do petista Maurício Rands (PE) na liderança está agitada e envolve cinco candidatos: Cândido Vaccarezza (SP), Paulo Teixeira (SP), Dr. Rosinha (PR), Iriny Lopes (ES), Fernando Ferro (PE).
Para representar os deputados do partido, o mais cotado é Vaccarezza. Ligado à corrente PT de Luta e de Massa, identificada com a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy. Vaccarezza é considerado um operador eficiente.
Segundo os líderes, sua candidatura ganha força porque ele teria o perfil para colocar em prática uma das exigências da Executiva do PT que é a abertura de diálogo com outros partidos. Mas em meio às várias correntes internas do partido, Vacarezza esbarra também em resistências. A definição ocorrerá na primeira semana de fevereiro.
No entendimento dos dirigentes petistas, a viabilidade de uma candidatura petista para a sucessão presidencial de 2010 passa por uma mudança no posicionamento do partido que está atualmente voltado para questões internas e com pouco trânsito entre demais legendas e o eleitorado.
No PSDB da Câmara, os tucanos ainda avaliam se reconduzem o deputado José Aníbal (SP), mas os deputados Paulo Renato (SP) e Emanuel Fernando (SP) também disputam a liderança. Entre os democratas, o deputado Ronaldo Caiado (GO) já é considerado o novo líder.
Senado
A bancada do PT do Senado já está organizada. Escolheram o senador Aloizio Mercadante (SP) para substituir a senadora Ideli Salvatti (SC), a partir de fevereiro.
Outra disputa que chama atenção é pela liderança do PMDB no Senado. O ex-presidente da Casa, Renan Calheiros (AL), teria conseguido o aval de governadores peemedebistas e de 14 dirigentes dos Diretórios Estaduais garantindo o apoio para que ocupe o cargo de líder da legenda neste ano.
O atual líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), é que trabalha nos bastidores para evitar a reabilitação política de Renan, que mergulhou o Senado durante sete meses em um festival de escândalos durante sua última passagem pela presidência.
Pressionado, Raupp estaria disposto a repassar o cargo para Renan e assumir a liderança do governo no Congresso, que deve ficar sem a senadora Roseana Sarney (MA), que vai passar por uma cirurgia e deve se licenciar. Na Câmara, os peemedebistas já decidiram reconduzir o deputado Henrique Eduardo Alves (RN).
Os principais partidos de oposição também optaram por manter seus líderes no Senado. O DEM pela nona vez vai reconduzir o senador José Agripino Maia (RN) no comando do partido. Também no PSDB, também não vai haver mudança, permanece o senador Arthur Virgílio (AM), que desde 2002 ocupa a vaga.
Comissões
Em meio às articulações, deputados e senadores se esforçam e lançam suas campanhas para presidir as comissões, mas as negociações ainda estão incertas porque dependem das eleições das presidências da Câmara e do Senado.
Nas duas Casas, a comissão mais cobiçada é a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que tem influencia direta na tramitação dos projetos. Na Câmara, a comissão deve permanecer na cota do PMDB e ser comandada pelo deputado Tadeu Filippelli (DF). A CCJ do Senado deve ficar sob os cuidados do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
No Senado outra comissão bastante desejada é a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) por onde passam as indicações políticas para os cargos das agências reguladoras e do Banco Central. O nome colocado até agora é o do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
Pelos corredores da Câmara, a comissão que desperta a cobiça dos partidos, além da CCJ, é a da de Finanças. No comando desta comissão deve ficar o PT e um dos nomes indicados é o deputado Walter Pinheiro (PT-BA), que perdeu as eleições municipais de Salvador para o peemedebista João Henrique --apoiado pelo ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).
Leia o que foi publicado sobre eleições no Congresso
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