Lula vai priorizar por duas semanas articulações para eleições no Congresso
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Por duas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu dar prioridade às negociações em torno das eleições para a sucessão no Congresso, que ocorrerão no dia 2. Para ele, a candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado é um elemento que complica as negociações com os demais partidos políticos da base aliada, mas não ameaça a campanha do deputado Michel Temer (PMDB-SP) ao comando da Câmara.
Lula decidiu tomar a frente das negociações em nome do governo. A ideia do presidente é conversar nesta quarta-feira (14) com o Sarney, que é apontado pelo PMDB como a candidatura consensual para a presidência do Senado.
Em seguida, o presidente se reúne com a bancada peemedebista no Senado e Temer. Serão reuniões separadas.
O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) disse nesta terça-feira que Lula decidiu iniciar as reuniões com o PMDB a partir de Sarney. "O presidente acha que é conveniente começar por Sarney", disse.
Para Múcio, Sarney deve aceitar a indicação do PMDB por ter sido estimulado por integrantes de seu partido. "Às vezes, as pessoas são tão estimuladas que são levadas a mudar de posição", afirmou, sem entrar em detalhes sobre as razões que teriam convencido o peemedebista a recuar na ideia de não ser candidato.
O ministro confirmou que o presidente foi informado que Sarney está gripado e por isso não poderia ter reunião hoje com ele. Mas interlocutores do PMDB informaram que a razão para adiar o encontro é o fato de o partido ainda não ter concluído uma série de articulações internas em torno da indicação de Sarney e também de outros cargos.
Insistência
Oficialmente, o governo manterá o discurso de defesa da candidatura do petista Tião Viana (AC) para a presidência do Senado até que o próprio anuncie sua decisão de abrir mão da candidatura. Com um discurso diplomático, Múcio evitou polemizar em torno do assunto e das dificuldades que envolvem o nome de Tião.
"Nós continuamos trabalhando com [a candidatura] de Tião Viana para a presidência do Senado", afirmou Múcio. "Nosso candidato ainda é o Tião", reiterou.
O ministro admitiu que ter dois candidatos do PMDB na disputa pelos comandos das duas Casas --Senado e Câmara-- dificulta as negociações. "O quadro ideal seria o Tião, no Senado, e o Temer, na Câmara. Não é uma situação cômoda", disse.
Múcio lembrou que a base aliada do governo é integrada por 14 partidos, dos quais PT e PMDB são os maiores, mas que nenhum deles pode ser prejudicado nas negociações pelos comandos do Congresso. "Não podemos deixar nenhum deles em situação incômoda. Qualquer movimento mexe com o equilíbrio de forças, deve ser uma ação combinada."
Lula deve se reunir nos próximos dias com o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), para tratar das articulações envolvendo as negociações pelas presidências da Câmara e do Senado.
A conversa de Lula com Berzoini é considerada fundamental porque setores do PT ameaçam abandonar o apoio à candidatura de Temer, caso o PMDB insista em lançar o nome de Sarney à presidência.
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