Presidente Lula quer ouvir pretensões do bloquinho para eleições de 2010
MÁRCIO FALCÃO
colaboração para a Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai dar início às articulações com os partidos da base aliada para sua sucessão em 2010. Ele pediu a lideranças do bloquinho de esquerda --formado pelo PSB, PDT, PC do B, PMN, entre outros partidos-- que preparem um encontro até o final do mês para discutir as pretensões do grupo para a troca de comando no Palácio do Planalto.
A ideia é discutir com os líderes dos partidos a disposição de manter a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência, que vinha sendo discutida pelo bloquinho, além de avaliar qual seriam as chances das legendas apoiarem uma candidatura única da base aliada em 2010.
No encontro, o presidente Lula quer saber como ficam os anseios do grupo, uma vez que o PDT deve confirmar no próximo dia 21 a saída do bloco. O presidente em exercício e líder do partido na Câmara, deputado Vieira da Cunha (RS), e o presidente licenciado, ministro Carlos Lupi (Trabalho), teriam confirmado a integrantes do governo que não há mais intenção em permanecer no bloquinho. Argumentam falta de espaço.
Lupi já declarou publicamente que o grupo se "esvaziou" e que não vê mais sentido para que o bloco político continue atuando junto no Congresso. O ministro tornou público o desentendimento entre os partidos do bloco ao declarar que o PDT abandonaria o deputado Aldo Rebelo (PC do B) na corrida pela presidência da Câmara e repassaria o apoio para o deputado Michel Temer (PMDB-SP), favorito na disputa.
Recado
Em meio à campanha dos líderes do PDT contra o bloquinho, lideranças do PSB e PC do B se esforçam nos bastidores para convencer os pedetistas a continuarem no bloco. Independente do movimento do PDT, dirigentes do PSB e do PC do B já estão com discurso pronto para o presidente Lula. Os líderes vão reforçar a intenção de lançar uma candidatura própria.
Segundo pessebistas, os partidos devem mostrar que mais de uma candidatura da base pode fortalecer o nome escolhido pelo presidente --até então o mais cotado é o da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
O entendimento do bloquinho é de que como os principais partidos da oposição, PSDB, DEM e PPS, devem estar unidos em torno de uma única candidatura, com mais de uma chapa governista no ataque, o candidato oposicionista estaria mais fragilizado e sem grandes oportunidades de aliança em um possível segundo turno.
Desentendimentos
O desentendimento entre os integrantes do bloquinho começou com a falta de sintonia nas eleições municipais de 2008. Líderes do PDT começaram a argumentar que a formação do bloquinho não cumpriu seu objetivo de estabelecer uma frente unida, independente da base aliada ao governo Lula e com maior espaço no Congresso.
Durante as eleições, o bloquinho só conseguiu patrocinar a tentativa de reeleição do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PC do B), que agregou ainda o apoio do PT e do PSDB.
Em outras sete capitais, só candidatos do PT conseguiram unir o bloquinho na mesma coligação --como em São Paulo, Natal, Palmas, Recife, Rio Branco, Vitória e Teresina.
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