Brasil
14/01/2009 - 15h19

Ministro da Justiça diz que caso Herzog ainda pode ser revisto

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THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

Mesmo sem defender diretamente a retomada das investigações a respeito da morte do jornalista Wladimir Herzog, em 25 de outubro de 1975, o ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou nesta quarta-feira que o caso ainda pode ser revisto.

Na terça-feira (13), a juíza federal Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Criminal de São Paulo, arquivou o processo sobre a morte do jornalista e de Luiz José da Cunha, o Comandante Crioulo, na sede do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna).

A juíza concordou com o argumento de que nos dois casos os crimes já prescreveram e afastou a possibilidade de enquadrá-los como crimes contra a humanidade.

Tarso lembrou que a decisão em primeira instância ainda pode ser reformada e que sua posição a respeito do assunto é "conhecida por todos". Ao lado do ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), Tarso é um dos principais defensores da abertura dos arquivos da ditadura no Brasil e da punição aos torturadores da época.

"Agora temos que aguardar o resultado da ação ajuizada pela OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], que quer constituir uma jurisprudência, que não se considere a tortura um crime político, ou crime prescritível", afirmou o ministro.

Ele se refere a ação de inconstitucionalidade da OAB sobre a Lei de Anistia, que está sob análise do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Essa decisão do Supremo, que vem da ação da OAB, é a decisão mais importante que o pais vai tomar para se olhar para o seu presente, porque essa não é uma questão do passado. Está ai o caso Herzog sendo levado aos tribunais", disse o ministro.

Comentários dos leitores
Jair Cesar Miranda Coelho (2) 09/07/2009 15h23
Jair Cesar Miranda Coelho (2) 09/07/2009 15h23
Desviar a atenção da população brasileira dos fatos e bandalheiras atuais.Escandalo do Senado Federal,corrupção,crimes, esta é a verdadeira intenção ao falar no Araguaia agora.os brasileiros querem é um país menos corrupto e justo e moral. Que as palavras Ordem e Progresso sejam respeitadas e não vilipendiadas como hoje. sem opinião
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TAIGUARA TAIGUARA (28) 09/07/2009 14h59
TAIGUARA TAIGUARA (28) 09/07/2009 14h59
É só tocar no passado que a vergonha da direita se aflora. Deve ser horrível ser de direita. E o prêmio do Lula?? A Folha não viu???? Escrevo na certeza de que serei censurado. sem opinião
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Luís da Velosa (874) 09/07/2009 14h11
Luís da Velosa (874) 09/07/2009 14h11
"Não são os violentos e os explosivos que mandam: são os homens calmos, plácidos, e impassíveis. São aqueles que conservam o poder de decidir e de resolver quando todos, à sua volta, estão perplexos e perturbados; são aqueles que crêem quando todos duvidam; aqueles que, como as figuras de pedra dos antigos jardins romanos, de que fala Petrarca, afrontam as tempestades sem que estremeça uma só prega da sua túnica; são queles, enfim, que, quando tudo está perdido, encontram ainda, no momento supremo, o gesto que redime e a palavra que salva."
(Júlio Dantas)
O que não podemos, será sempre não compactuarmos com o cinismo, esse cinismo que se enraizou no solo nacional que, infelizmente, para essas horas e outras, não deixa de fertilizar o bem e o mal. O cinismo é o que mais me entristece, me desanima, me deprime.
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