Brasil
14/01/2009 - 15h54

Governo de SP cobra explicações de empresas de telefonia sobre grampos ilegais

Publicidade

TATHIANA BARBAR
da Folha Online

Em reunião nesta quarta-feira com representantes de seis empresas de telefonia, o secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, cobrou das operadoras explicações sobre os grampos ilegais e a quebra de sigilos bancários que ocorreram no Estado.

A Polícia Civil de São Paulo prendeu na semana passada nove pessoas suspeitas de integrarem o esquema. Entre os presos estão detetives, funcionários de bancos e das operadoras. Policiais também são suspeitos de participarem do esquema --eles teriam forjado autorizações judiciais de quebra de sigilo telefônico enviadas para as operadoras de telefonia.

As empresas --Claro, Embratel, Oi, Telefônica, TIM e Vivo-- terão 30 dias para detalhar as providências que já foram ou poderão ser tomadas. "A reunião não foi uma ameaça, mas lembramos às operadoras de suas responsabilidades com os direitos do consumidor. A vítima tem o direito de ser indenizada."

Marrey ainda cobrou das empresas medidas para evitar o vazamento de dados sigilosos dos consumidores, inclusive com a participação de funcionários das operadoras. "Não acho que está tendo uma violação generalizada, mas há problemas. Não sei como estimar a clandestinidade, o percentual. Mas o governo de São Paulo resolveu apurar e oferecer à Justiça provas para punir os criminosos."

De acordo com a polícia, detetives particulares conseguiam quebrar o sigilo bancário e telefônico das vítimas com a ajuda de funcionários de bancos e de operadoras de telefonia. Para conseguir essas informações, os detetives pagavam comissões que variavam de R$ 200 a R$ 2.000.

O secretário afirmou que serão discutidas formas de aperfeiçoamento dos sistemas para evitar que o episódio ocorra novamente. "Hoje, nós tratamos desse assunto com as empresas de telefonia, mas pretendemos tratar desse tema com as empresas de cartão de crédito e com os estabelecimentos bancários também."

Procon

Segundo o diretor-executivo do Procon-SP, Roberto Pfeiffer, o objetivo do encontro de hoje foi questionar as operadoras sobre como ocorreram os grampos ilegais e as medidas que estão sendo tomadas para reparar os danos às vítimas.

Uma das vítimas do esquema foi o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), que teve um aparelho celular com número de Brasília grampeado pela quadrilha, de acordo com as investigações. Ele disse que o aparelho, que ficava com sua secretária, foi desativado.

Ofícios falsificados

O corregedor do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Gilson Dipp, que também participou da reunião, defendeu a criação de mecanismos para combater a falsificação de ordens da Justiça.

"Nós verificamos que, nessa investigação criminal, há uma série de ofícios e de ordens judiciais falsificadas", afirmou. "Quis aproveitar a presença das empresas de telefonia para que nós possamos chegar a um denominador comum sobre quantas interceptações judiciais existem efetivamente no Brasil", reiterou.

Segundo ele, desde setembro, o número de determinações judiciais de quebra de sigilo telefônico caiu 30%.

Comentários dos leitores
Monica Rego (187) 01/07/2009 20h00
Monica Rego (187) 01/07/2009 20h00
Demo tucano e a mídia conservadora tudo a ver!!! sem opinião
avalie fechar
Rui Vendramin (1) 01/07/2009 14h25
Rui Vendramin (1) 01/07/2009 14h25
E agora? Será que aquela "revista" semanal, o Senador e o Ministro que afirmaram à Nação que houve diálogo, destes últimos, grampeado, serão chamados a explicar - e comprovar - o que de fato ocorreu? ou aquela "notícia" foi divulgada supostamente apenas para desmoralizar a investigação da PF sobre o Banqueiro condenado? sem opinião
avalie fechar
clara leonor vaz guimaraes (4) 01/07/2009 13h55
clara leonor vaz guimaraes (4) 01/07/2009 13h55
Tudo foi inventado para protreger o Dantas, que socio e amigo do filho do Presidente Lula. O mais assustador é que onde não há uma Justiça acima de qualquer suspeita, não há Democracia. A corrupção tem ser debelada de todas as maneiras para que o país ingresse no primeiro mundo. Todos os cidadões tem que ter os mesmos direitos intependente de raça, cor, religiao e status social. Fim a pouca vergonha e transparencia já. 1 opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (1561)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca