Mesmo em recesso, parlamentares negociam cargos para eleições do dia 2
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
MÁRCIO FALCÃO
colaboração para a Folha Online, em Brasília
Mesmo em recesso, a partir da próxima semana os principais articuladores políticos vão estar em Brasília. Os líderes partidários negociam em favor de seus candidatos à presidência da Câmara, além dos cargos na Mesa Diretora da Casa e nas comissões permanentes. Até o dia 2, quando ocorrem as eleições no Congresso, os finais de semana serão destinados às negociações.
Na véspera das eleições, os líderes partidários e candidatos terão de correr contra o tempo. Eles terão até as 10h da manhã de domingo (1º) para encaminhar os pedidos para a formação de blocos políticos à Secretaria Geral da Câmara.
Atualmente, o bloco de esquerda, o bloquinho, está ameaçado de implosão em decorrência do risco de o PDT abandonar o grupo. O bloquinho é formado pelo PDT, PSB, PC do B e PMN, entre outros.
Também no domingo, o atual presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), fará uma reunião com os líderes partidários para receber as indicações para os pleitos sobre os cargos nas 19 comissões permanentes da Casa. Destas comissões, as mais cobiçadas são a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e Finanças e Tributação.
Pelo regimento interno da Câmara, os maiores partidos --PMDB, PT, PSDB e DEM-- têm prioridade nas indicações. Apesar da regra, o fato costuma gerar críticas dos partidos menores, que ficam com menos espaço e muitas vezes sem direito a ocupar cargos.
Ainda na véspera da eleição para a presidência da Câmara, no domingo, todos os candidatos devem registrar suas candidaturas até a meia-noite. Por enquanto, foram divulgadas as candidaturas dos deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP), Ciro Nogueira (PP-PI), Osmar Serraglio (PMDB-PR) e Michel Temer (PMDB-SP) --apontado como o favorito, com o apoio de 12 partidos e do governo federal.
Eleições
No dia 2, Câmara e Senado estarão em eleições. No entanto, com 513 deputados, a Câmara atrai atenções e no passado registrou momentos de surpresa como a vitória do ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que era apontado como o nome com menor possibilidade, para a presidência da Casa.
Na segunda-feira das eleições na Câmara, o dia começará cedo, às 10h, com discursos de Chinaglia e todos os candidatos à sua sucessão. Os líderes partidários e vice-líderes também poderão fazer uso da palavra.
Só a partir do meio-dia da segunda-feira serão iniciadas as votações. Individualmente, os deputados-eleitores vão votar para os cargos de presidente, vice-presidentes e secretários da Mesa Diretora da Câmara. A votação é eletrônica, em cabines informatizadas.
Para ser eleito já no primeiro turno, o vitorioso precisa ter 257 votos. Do contrário, é realizado o segundo turno das eleições, o que pode ocorrer ao final das apurações ou horas depois, conforme acordo dos líderes partidários.
Por volta das 16h do dia 2, encerrada a eleição na Câmara, quando também se espera ter acabado a votação no Senado, é realizada a sessão do Congresso.
Na sessão, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lerá a mensagem do governo para o Legislativo, na qual diz quais são as prioridades e expectativas do Executivo para a próxima legislatura, que acaba em fevereiro de 2011.
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