Cronologia
da Folha de S.Paulo
15.mar.79 - João Baptista Figueiredo recebe o cargo de seu antecessor, o general Ernesto Geisel, e reafirma o propósito de prosseguir com a abertura
10.ago.79 - O ministro do Planejamento, Mário Henrique Simonsen, principal formulador da política econômica na gestão Geisel, pede demissão e é substituído por Delfim Netto, novo homem forte da economia
28.ago.79 - Figueiredo assina a Lei da Anistia, que permitiu o retorno dos exilados (como Leonel Brizola e Miguel Arraes), mas impedia a investigação dos crimes de tortura
22.nov.79 - O Congresso aprova a reforma partidária, que extingue a Arena e o MDB e permite a formação de novos partidos. O MDB se divide em várias legendas
30.nov.79 - Durante uma visita a Florianópolis, Figueiredo é insultado durante um protesto; sete estudantes são presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Foi o fim da tentativa de 'popularizar' a imagem do presidente, o 'João'
6.jan.80 - Morre o ministro da Justiça, Petrônio Portela, um dos principais idealizadores da abertura política. É substituído pelo deputado Ibrahim Abi-Ackel
15.jan.80 - O ministro da Fazenda, Karlos Rischibieter, pede demissão por desentendimentos com Delfim. É substituído pelo presidente do Banco Central, Ernane Galvêas
10.fev.80 - Fundação do PT
1.abr.80 - Começa uma greve de metalúrgicos do ABC que dura mais de um mês. O ministro do Trabalho, Murillo Macedo, decreta a intervenção nos sindicatos. Luiz Inácio Lula da Silva é preso
27.ago.80 - Uma carta-bomba enviada à sede da OAB mata a secretária Lyda Monteiro da Silva
4.set.80 - Aprovada a prorrogação do mandato dos prefeitos e vereadores por mais dois anos
13.nov.80 - Aprovada a emenda que estabelece eleições diretas para governadores de Estado
Janeiro de 1983 - O deputado Dante de Oliveira (PMDB) apresenta no Congresso Nacional emenda que estabelece as eleições diretas para a Presidência da República.
27.mar.1983 - A Folha publica editorial em que se declara favorável ao pleito direto em todos os níveis.
28.jun.1983 - Reúnem-se no Rio de Janeiro os governadores Franco Montoro (PMDB-SP), Leonel Brizola (PDT-RJ) e o presidente nacional do PT, Luís Inácio Lula da Silva, para articular uma frente suprapartidária pela volta das eleições diretas.
17.jul.1983 - Pesquisa da Folha revela que 40,8% dos entrevistados defendem a realização de eleições diretas e 12,7% preferem a escolha do próximo presidente pelo Colégio Eleitoral.
26.nov.1983 - Os governadores Tancredo Neves (MG), Gilberto Mestrinho (AM), Jader Barbalho (PA), José Richa (PR), Íris Resende (GO) e Franco Montoro (SP), todos do PMDB, assinam manifesto pelo restabelecimento das eleições diretas para presidente.
27.nov.1983 - Na Praça Charles Muller, em São Paulo, uma manifestação organizada pelo PT e entidades da sociedade civil reúne cerca de 10 mil pessoas pelas eleições diretas. Nesse dia morre Teotônio Vilela em Maceió, que se torna um dos símbolos da campanha.
29.dez.1983 - O presidente Figueiredo faz pronunciamento em rede nacional de TV e rádio, onde crítica a campanha pelas diretas como um movimento perturbador da ordem e devolve a coordenação da sucessão presidencial ao PDS.
12.jan.1984 - Lançamento nacional da campanha pelas Diretas-Já reúne entre 30 e 50 mil pessoas na Boca Maldita, no centro de Curitiba.
17 a 19.jan.1984 - Paulo Maluf encontra-se com Figueiredo e Golbery e lança sua candidatura na sede do PDS, em Brasília.
20 e 21.jan.84 - Manifestações pró-Diretas-Já em Salvador (BA) com cerca de 15 mil pessoas, e em Vitória (ES) com 10 mil pessoas.
24.jan.1984 - Também pelo PDS, Mário Andreazza lança sua candidatura.
25.jan.1984 - No 430º aniversário da cidade de São Paulo, manifestação de seis horas pelas Diretas-Já leva entre 200 e 300 mil pessoas à Praça da Sé, em São Paulo.
6.fev.1984 - Antônio Carlos Magalhães, no comando da candidatura de Mário Andreazza, lança a idéia de o próprio governo propor diretas ao Congresso.
13 a 20 fevereiro de 1984 - Partidos de oposição organizam uma caravana pelas diretas, liderada por Ulysses Guimarães (presidente do PMDB), Luís Inácio Lula da Silva (presidente do PT) e Doutel de Andrade (presidente do PDT), que passa por Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A peregrinação é conhecida por 'Caravana das Diretas'.
16 e 17.fev.1984 - Ocorrem manifestações pelas Diretas-Já no Rio de Janeiro, com cerca de 40 mil pessoas, e em Belém, com aproximadamente 60 mil.
23.fev.1984 - Cerca de mil pessoas inauguram o Placar das Diretas na Praça da Sé, em São Paulo, com o nome de todos os congressistas e suas posições em relação à emenda Dante de Oliveira.
24.fev.1984 - Manifestação em Belo Horizonte concentra cerca de 250 mil pessoas.
21.mar.1984 - No Rio de Janeiro, passeata organizada pelo PT e sem o apoio de Brizola reúne 150 mil pessoas, segundo a PM, e 300 mil, segundo os organizadores.
31.mar.1984 - Em cadeia de rádio e televisão, o presidente Figueiredo reafirma que seu sucessor será escolhido por via indireta.
7.mar.1984 - 30 mil pessoas participam de comício no reduto pedessista de Petrolina, maior cidade do sertão pernambucano.
10.abr.1984 - Ocorre nova manifestação no Rio de Janeiro, desta vez na Candelária, com 1 milhão de pessoas, segundo os organizadores.
12 e 13.abr.1984 - Manifestações concentram 300 mil pessoas em Goiânia (GO), 50 mil em Ipatinga (MG) e 200 mil em Porto Alegre (RS).
16.abr.1984 - Ocorre no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, a maior manifestação da história do país e das Diretas-Já, com cerca de 1,7 milhão de pessoas. O Executivo envia ao Congresso Nacional a emenda Leitão de Abreu como alternativa à de Dante de Oliveira. Essa emenda estabelece eleição direta para presidente em 1988 e reduz para quatro anos o mandato do presidente a ser eleito pelo Colégio Eleitoral em janeiro de 1985.
18.abr.1984 - O presidente Figueiredo decreta 'Medidas de Emergência para a Salvaguarda das Instituições', por 60 dias, no Distrito Federal, Goiânia e nove municípios de Goiás, em função da votação da emenda Dante de Oliveira.
18.abr.1984 - Manifestação em Vitória (ES) reúne cerca de 80 mil pessoas.
22.abr.1984 - Nas comemorações da Semana da Inconfidência, é lida a Carta de Ouro Preto que pede a realização imediata de eleições diretas. A Carta é assinada por Tancredo Neves, José Richa, Esperidião Amin e Wellington Moreira Franco.
22.abr.1984 - A Folha publica a relação dos deputados e seus telefones, pedindo que a população ligue e pressione os congressistas. ('Disque o código DDD-016 e fale com os congressistas pelas diretas')
23.abr.1984 - Tancredo Neves cogita a hipótese de negociação entre a oposição e o governo, em caso de derrota da Emenda Dante de Oliveira. As declarações de Tancredo foram repudiadas pelo comitê pró-diretas, 'desautorizando-o' a falar em nome do movimento.
25.abr.1984 - Apesar das medidas de emergência, ocorrem em Brasília e em outras capitais brasileiras manifestações pela aprovação da emenda Dante de Oliveira, que prevê eleições diretas para presidente em 15.01.1985.
A emenda Dante de Oliveira é derrotada no Congresso por falta de quórum: 298 votaram a favor, 65 contra, 3 obstiveram-se e 112 não compareceram à votação.
26.abr.1984 - O general Newton Cruz ordena o cerco a um passeata de protesto dos estudantes da UnB (Universidade de Brasília), frustrados com a derrota da emenda e a invasão de uma escola na qual os estudantes tinham se refugiado; o presidente da UNE é preso.
1º.jun.1984 - Comício em Brasília pelas Diretas-Já.
11.jun.84 - João Figueiredo rejeita a iniciativa do senador José Sarney de convocar uma prévia entre os filiados do PDS para escolher o candidato do partido. O presidente também se recusa a indicar um nome para sua sucessão.
19.jun.1984 - Nove governadores do PMDB e Leonel Brizola do PDT reúnem-se em São Paulo e indicam Tancredo Neves como candidato da oposição à sucessão presidencial.
26.jun.1984 - Comício pelas Diretas-Já concentra aproximadamente 100 mil pessoas na Praça da Sé, em São Paulo.
27.jun.1984 - Passeata-comício leva cerca de 100 mil pessoas à Cinelândia, no Rio de Janeiro, a favor das Diretas-Já.
5.jul.84 - O senador Marco Maciel e o vice-presidente Aureliano Chaves retiram suas candidaturas à Presidência e lançam o 'Manifesto da Frente Liberal', rompendo com o partido
18.jul.1984 - José Sarney aceita ser o vice de Tancredo Neves pela Frente Liberal.
23.jul.84 - O PMDB e a Frente Liberal formalizam o acordo em torno da candidatura de Tancredo Neves para a Presidência, criando a Aliança Democrática
11.ago.1984 - Convenção Nacional do PDS elege Paulo Maluf candidato do partido à presidência da República, derrotando o ministro Mário Andreazza.
12.ago.1984 - Convenção do PMDB escolhe Tancredo Neves e José Sarney como seus candidatos a presidente e vice-presidente da República.
13.ago.1984 - José Sarney filia-se ao PMDB.
12.dez.1984 - O Senado decide que a eleição presidencial, no Colégio Eleitoral, será aberta e cada membro votará em voz alta.
15.jan.85 - Tancredo é eleito presidente pelo Colégio Eleitoral com 480 votos, contra 180 dados a Paulo Maluf, do PDS
14.mar.85 - Tancredo Neves, com um tumor no intestino, é internado e operado às pressas no Hospital de Base de Brasília
15.mar.85 - O Congresso dá posse a José Sarney, em razão da internação de Tancredo. Figueiredo se recusa a passar a faixa ao sucessor
15.nov.1989 - Os brasileiros vão às urnas para eleger o presidente da República pela primeira vez desde 1960. Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva passam para o segundo turno, que seria realizado em 17 de dezembro. Collor vence e toma posse em 15 de março de 1990.
26.ago.1992 - CPI aprova o relatório contra Collor
29.set.1992 - A abertura do processo de impeachment contra Collor é aprovada na Câmara por 441 votos contra 38
2.out.1992 - Collor é afastado do cargo
29.dez.1992 - No julgamento, Collor renuncia, mas o Senado o condena à perda dos direitos políticos por 8 anos
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