Classe artística foi elo entre políticos e população, diz musa das Diretas-Já
THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online
Foi por sugestão do cartunista Henfil que a cantora Fafá de Belém começou a soltar uma pomba no fim de suas apresentações durante a campanha pelas eleições diretas no país, na década de 80. Em pouco tempo, o gesto se tornou um dos símbolos do movimento e Fafá, a musa das Diretas-Já.
A cantora conta ter participado de todos os 32 comícios pelas diretas e afirma que, naquele momento, a classe artística representou a ponte entre os políticos e o resto da população do país. "Os artistas --cantores, compositores, escritores-- fizeram uma ponte entre a classe política desgastada e o povo que precisava acreditar em alguma coisa. Acreditar fundamentalmente que era possível fazer esse movimento e mudar o destino do país", afirma Fafá.
| 16.abr.1984/Folha Imagem |
![]() |
| Fafá de Belém compara comoção pela posse de Barack Obama nos EUA com Diretas-Jà |
Ela também diz que algumas lideranças políticas queriam ser "donos das diretas", mas com o crescimento da campanha e a adesão maciça, o movimento ficou sendo do "povo". "Alguns queriam ser o dono das diretas, acabou que o povo brasileiro foi o dono das diretas. A partir do momento em que a campanha engrenou e foi em frente, vinham representantes de todos os setores."
Fafá diz ter provocado "ciumeira" ao ser chamada de musa das Diretas-Já pela imprensa e conta que chegou a ser barrada no comício da praça da Sé, em São Paulo, no dia 25 de janeiro de 1984.
Segundo ela, o comício foi organizado pelo PMDB e por assessores de Franco Montoro --então governador de São Paulo--, que alegaram a falta de história da cantora com a luta política para barrá-la. "Nessa época eu estava muito ligada ao PT, mas não era filiada a nenhum partido, meu compromisso sempre foi com a liberdade", afirma Fafá.
Sua ligação com o PT e com Luiz Inácio Lula da Silva foi, justamente, o que fez com que a cantora paraense contrariasse as determinações dos políticos paulistas e subisse ao palco montado no centro da cidade. Na época, conta Fafá, foi o próprio Lula quem fez questão da participação dela e a levou como convidada do PT.
"Se não tivéssemos ido para as ruas, nada mudaria. Só um movimento com aquela força, com aquela intensidade, aquela fé, com aquela alegria foi capaz de arrebentar todas as correntes que amarravam até os intelectuais", diz Fafá, que compara as cenas da posse do presidente Barack Obama na última terça-feira (20) ao "mar de gente" que saiu às ruas pelas diretas. "Vendo a posse do Obama eu vi o vale do Anhagabaú. Dois milhões de pessoas acreditando que é possível mudar", afirma Fafá.
Na época, a cantora também ganhou destaque por sua interpretação do hino nacional, cantado em todos os comícios. Vinte e cinco anos depois, em temporada de shows no Rio, promete lembrar a data cantando o hino durante seu show no sábado (24).
Também é possível ouvir Fafá cantando o hino nacional no site da cantora.
Leia mais sobre Diretas-Já
- Comício pelas Diretas-Já na praça da Sé completa 25 anos no domingo
- Saiba quem foram as personagens das Diretas-Já
- Veja a cronologia dos fatos das Diretas-Já
Outras notícias de Brasil
- "Podem chamar de AeroYeda", diz governadora sobre novo avião
- PSDB impõe exigências a Tião e Sarney para escolher qual deles apoiará no Senado
- Governo quer usar dinheiro bloqueado do Opportunity em ações de segurança pública
Especial
- Veja a cobertura completa dos 25 anos das Diretas-Já
- Veja o que existe em nossos arquivos sobre as Diretas-Já
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria



avalie fechar
avalie fechar
O erro não está na constituição, ou não totalmente. Talvez venha a responder por 10 % da encrenca que aí está.
Por que esperou-se 21 anos da promulgação da carta para vir essa avalanche de impropérios contra nossa carta magna?
Querem tramar algo?
O povo já não é mais tão bobinho. Quando os politicos falam um pingo, o povo já tem uma frase completa.
Não, definitivamente o defeito não é da constituição,. mas sim dos que foram constituidos de poder emanado do povo.
A questão se dá com a apatia do cidadão, esse tanto faz, qualquer um, é isso o que nos penar enquanto cidadãos.
A reforma que precisa ser feita é de carater, honra e patriotismo. Gostei quando o Pelé falou em Copenhagem que dá a vida ao nosso país.
É isso que faltam mais Pelés, mais bom exemplo de honestidade, virtude e cidadania.
avalie fechar