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Brasil
22/01/2009 - 19h01

Governo quer usar dinheiro bloqueado do Opportunity em ações de segurança pública

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O governo federal quer aplicar os cerca de US$ 2 bilhões bloqueados no exterior pelo Ministério da Justiça em contas bancárias relacionadas à Operação Satiagraha em ações de segurança pública. O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, disse nesta quinta-feira que o governo pretende usar o dinheiro em ações do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), coordenado pelo ministro Tarso Genro (Justiça).

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Naji Nahas, Celso Pitta e Daniel Dantas foram presos durante a Operação Satiagraha, da PF
Naji Nahas, Celso Pitta e Daniel Dantas foram presos durante a Operação Satiagraha, da PF

"É um volume razoável [de recursos] que tem o mesmo valor que o governo vai usar no Pronasci para aplicar em segurança. É importante o Ministério da Justiça bloquear e, se Deus quiser, repatriar recursos que ele mesmo vai aplicar para os Estados terem maior segurança", afirmou.

O secretário classificou de "operação rotineira" a ação que resultou no bloqueio de bens identificados pela PF em meio à Operação Satiagraha. A orientação do governo, segundo Tuma Júnior, é não apenas efetivar a prisão dos envolvidos em ações de corrupções, mas também impedir que mantenham movimentações financeiras ilegais.

"Isso integra a política apresentada pelo ministro [Tarso Genro] de criar-se um círculo virtuoso. Não adianta só prender e processar as pessoas, você tem que cortar o fluxo financeiro delas e de suas organizações", afirmou.

Na opinião de Tuma Junior, as organizações criminosas vão ter sua atuação limitada caso haja cortes no seu fluxo financeiro. "Hoje, qualquer organização criminosa é como uma empresa. Elas repõem pessoal facilmente. Se não cortar o fluxo financeiro, você não impede a organização de se financiar ou o agente público através da corrupção. Talvez as pessoas tenham se surpreendido, mas é atuação que vem sendo feita há muito tempo.

O Ministério da Justiça conseguiu hoje o bloqueio de mais de US$ 2 bilhões, ou seja, R$ 4,5 bilhões, em contas bancárias mantidas no exterior relacionadas à Operação Satiagraha, da Polícia Federal --que ocorreu no dia 8 de julho do ano passado, contra suspeitos de corrupção e de promover lavagem de dinheiro.

Entre os presos estavam o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Segundo o Ministério Público Federal de São Paulo, parte do dinheiro bloqueado pelo governo pertence ao Opportunity --embora Tuma Júnior não confirme a informação.

Segundo o ministério, desse montante, cerca de US$ 500 milhões resultam de cooperação do governo americano, e trata-se do maior bloqueio de recursos suspeitos de ilícitos da história do Brasil.

Outro lado

O banco Opportunity divulgou nota nesta quinta-feira na qual contesta as informações divulgadas pelo Ministério da Justiça sobre o bloqueio de contas da instituição.

Na nota, o Opportunity ressalta que o pedido do bloqueio dos recursos administrados pelo banco no exterior é "infundado" e "arbitrário".

O banco informa no documento que não foi notificado sobre o bloqueio e sobre a forma que o mesmo foi concedido.

"O secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, afirmou à imprensa que autoridades estrangeiras concederam bloqueios a seu pedido. O Opportunity não foi notificado sobre esse bloqueio, se ele foi concedido de forma cautelar e sob quais argumentos. Se confirmadas as declarações do secretário, o Opportunity vai demonstrar às autoridades brasileiras e estrangeiras a total ausência de justificativas legais para o bloqueio", diz o Opportunity na nota.

Em entrevista hoje à tarde, Tuma Júnior disse que o governo brasileiro não tem prazo para repatriar os recursos. Apesar do Ministério da Justiça ter conseguido bloquear o dinheiro nesta quinta-feira, só terá posse dos recursos ao final do processo --uma vez que os acusados de manter os recursos no exterior podem prolongar as investigações com sucessivos recursos judiciais.

O secretário não confirmou a informação do Ministério Público de que parte do dinheiro era do Opportunity. O secretário manteve sob sigilo os nomes dos titulares dos recursos com o argumento de que não pode desrespeitar acordos internacionais.

Segundo o Ministério Público, os US$ 46 milhões bloqueados na Inglaterra e os cerca de US$ 450 milhões nos Estados Unidos são do Opportunity. Além disso, também foram bloqueados, no Brasil, R$ 545,7 milhões do Opportunity.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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