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Brasil
27/05/2003 - 10h55

PF indicia Collor por lavagem de dinheiro

da Folha Online

O ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) está sendo indiciado pela Polícia Federal por prática de crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, junto com outras 15 pessoas, entre elas seu irmão Leopoldo Collor.

Todos estão envolvidos na confecção, negociação ou distribuição do chamado dossiê Cayman. Se condenados, os indiciados podem pegar de dois a 16 anos de prisão.

Os indiciados são: Oscar de Barros, José Maria Teixaira Ferraz, Caio Fábio d'Araújo Filho, Paulo Sérgio Rosa, Honor Rodrigues da Silva, João Roberto Barusco, Ney Lemos dos Santos, Cláudia Maria Rivieri,
Fernando e Leopoldo Collor, Luiz Cláudio Ferraz, André Luiz Volpato Jr, Marta de Cássia Vincent Volpato, Raymundo Nonato, Vicente Cheloti e Washiongton Nascimento Mello.

Segundo informou o delegado Paulo de Tarso Teixeira, que conduziu as investigações, o inquérito foi iniciado em 13 de março de 2001 e já está concluído. Teixeira disse que o indiciamento de Collor foi determinado em janeiro deste ano.

A PF aguardava a extradição de Honor Rodrigues da Silva, preso no México, para enviar o inquérito à Justiça. O delegado informou à Folha Online que recebeu ofício da Interpol (polícia internacional) informando que Silva havia conseguido mandado de segurança no México, o que pode atrasar sua extradição em até oito meses. Por isso, Teixeira decidiu encaminhar o inquérito à Justiça e deixar o depoimento de Silva para ser colhido no decorrer do processo.

Dossiê Cayman

O dossiê Cayman é um conjunto de papéis sem autenticidade comprovada que apontavam a existência de contas em paraísos fiscais em nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dos ministros José Serra e Sérgio Motta, e do governador de São Paulo Mário Covas, morto em março de 2001.

Na semana passada, os acusados de serem os autores do dossiê --João Roberto Barusco, Ney Lemos dos Santos e Luiz Cláudio Ferraz-- foram presos, acusados de falsificação de documentos.

O relatório da PF aponta que Collor e seu irmão pagaram US$ 2,2 milhão pelo dossiê. Parte deste dinheiro (US$ 1,2 milhão) teria sido dividido por todos os envolvidos na confecção do dossiê e o restante (US$ 1 milhão) dividido somente entre Honor Rodrigues da Silva, João Roberto Barusco, Ney Lemos dos Santos e Cláudia Maria Rivieri. "Era um tentanto passar a perna no outro", disse o delegado.

Maluf

O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf (PP) também é acusado de ter comprado o conjunto de papéis. Segundo o delegado Teixeira, não há indícios de crime na tentativa de Maluf de adquirir os papéis originais do dossiê Cayman, já que os originais não existem. Por este motivo, o ex-prefeito, além do ex-senador Gilberto Miranda e do doleiro Naji Nahas, não serão indiciados.



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