Marina Silva propõe mudança positiva na organização da sociedade
da Agência Brasil, em Belém
Com um discurso emocionado que arrancou aplausos da plateia, a senadora Marina Silva (PT-AC) participou nesta segunda-feira da plenária Educação, Transgressão e Construção da Cidadania Planetária, durante os debates do Fórum Mundial da Educação, que antecede o Fórum Social Mundial, em Belém. A senadora falou sobre sua saída do Ministério do Meio Ambiente e afirmou que é necessária uma mudança positiva no modo de viver, pensar e de organizar da sociedade.
| Eunice Pinto/Divulgação |
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| Marina disse que em alguns momentos foi ridicularizada como a ministra dos bagres |
"Às vezes a gente é o arco que empurra a flecha e às vezes a gente é a flecha que é empurrada. Eu no MMA [Ministério do Meio Ambiente] me senti muitas vezes como uma flechinha que é empurrada pela sociedade brasileira. Quando quiseram revogar as medidas do plano de combate ao desmatamento, e eu pedi para sair, foi a sociedade brasileira que se colocou na posição de arco e não permitiu a revogação dessas medidas", afirmou.
Marina disse que em alguns momentos foi "ridicularizada como a ministra dos bagres", durante o processo de concessão da licença para o rio Madeira. Mas que se sentia orgulhosa do trabalho que resolveu os problemas ambientais da região.
A senadora defendeu uma solução imediata para crise ambiental que, segundo ela, é muito mais grave do que a crise econômica. Diante de um público de milhares de educadores, Marina defendeu um modelo de educação não-pragmática e com divisão de responsabilidades. Emocionada, ela contou ao público que foi alfabetizada aos 16 anos, em um curso do antigo Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização).
"É diante da crise que somos obrigados a buscar novas saídas, respostas, alternativas. Na educação, temos que pensar também dessa forma. Vamos juntar as melhores experiências para dar uma resposta à essa crise, uma proposta em coautoria", afirmou.
A senadora disse que as escolas precisam se atualizar diante da necessidade de se pensar um novo modelo de desenvolvimento social, ambiental e econômico. "Precisamos resignificar o nosso ensino. Há bem pouco tempo, os recursos naturais eram tratados como infinitos. A Amazônia era tratada como um deserto verde, sem que se falasse sobre os povos que moram lá, de suas culturas. Falava-se que nós éramos os países subdesenvolvidos, atrasados. Mas em relação a quê? A esse sistema financeiro que dá sinais de colapso?".
Os debates do Fórum Mundial de Educação continuam até amanhã, quando começa a programação oficial do Fórum Social Mundial.
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