Procuradoria denuncia dono da Gautama em desdobramento da Operação Navalha
da Folha Online
Atualizado em 03/02/2009 às 12h22.
O Ministério Público Federal em Sergipe apresentou denúncia na última sexta-feira contra Zuleido Veras --dono da construtora Gautama-- e contra Rubem Paulo de Carvalho Patury Filho --ex superintendente da Polícia Federal em Sergipe. Zuleido foi investigado pela Polícia Federal durante a Operação Navalha, que desarticulou um suposto esquema de fraudes em licitações públicas. Ele é suspeito de liderar o esquema.
De acordo com a Procuradoria, interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial mostraram Zuleido pagando propina de R$ 7.000 para o então superintendente da PF em Sergipe.
Para os procuradores da República Paulo Gustavo Guedes Fontes, Ruy Nestor Bastos Mello e Eduardo Botão Pelella, Zuleido desejava contar com a boa vontade de Patury para evitar problemas com a PF em Sergipe --onde a Gautama executava obras da adutora do São Francisco. Essas obras foram consideradas irregulares pela CGU (Controladoria-Geral da União).
A denúncia diz que "diante dos interesses escusos no Estado de Sergipe e mormente em razão das investigações já encetadas à época pelo Ministério Público Federal, a concessão de vantagens a Patury tinha o objetivo de determiná-lo a favorecer Zuleido e a Gautama no âmbito de sua atuação funcional".
Além de Zuleido e Patury, também foram denunciados Magna Soraya da Silva Patury --mulher do ex-superintendente da PF no Estado--, Florêncio Brito Vieira --empregado da Gautama-- es lobistas Francisco de Assis Borges Catelino e Joel Almeida de Lima --esse último é delegado aposentado da PF.
Operação Navalha
A suposta máfia das obras foi desarticulada em 2007 pela Operação Navalha, da Polícia Federal. Zuleido Veras, é acusado de liderar o esquema de pagamento de propinas para autoridades públicas.
A quadrilha atuava no Distrito Federal e em nove Estados --Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão e São Paulo-- infiltrada nos governos federal, estadual e municipal.
Segundo a PF, a quadrilha desviou recursos do Ministério de Minas e Energia, da Integração Nacional, das Cidades, do Planejamento, e do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes).
Para obter vantagem nas licitações para obras públicas, a empresa pagava propina e dava presentes para as autoridades envolvidas.
A estrutura da quadrilha se dividia em três níveis. No primeiro, estariam funcionários da Gautama, criada a partir de uma dissidência da OAS. O chefe do esquema seria Zuleido Soares Veras, sócio-diretor da Gautama, também preso pela PF.
O segundo nível seria composto por 11 pessoas, a maioria servidores que atuavam como intermediários perante os políticos e funcionários públicos, exercendo influência sobre eles para a liberação de recursos.
No terceiro nível, estariam os agentes públicos municipais, estaduais e federais que, "praticando diversos delitos, viabilizam a atividade da organização na obtenção de liberação de verbas, direcionamento dos resultados das licitações", entre outras fraudes.
Outro lado
Em nota, a assessoria da Gautama informa que a "notícia sobre a 'nova denúncia contra o empresário Zuleido Veras formulada pelo Ministério Público Federal' demonstra, tão somente, a incontinência acusatória do parquet, destituída do mínimo de credibilidade".
"Após mais de um ano sem conseguir materializar a denúncia relacionada à indigitada Operação Navalha, da Polícia Federal, e não tendo se desincumbido do ônus de provar as acusações que lhe compete, o Ministério Público Federal tenta através de supostas novas denúncias trazer desmembramentos de questões que integram o inquérito penal, cuja denúncia sequer foi recepcionada pelo Superior Tribunal de Justiça", diz a nota.
Informa ainda que a Gautama não conhece o teor da denúncia, mas "conhece os objetivos da divulgação".
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