Ministério Público processa família Vedoin e ex-deputados por máfia dos sanguessugas
da Folha Online
O Ministério Público Federal em Jaú ajuizou hoje ação contra os empresários Darci José Vedoin, Luiz Antônio Trevisan Vedoin e Ronildo Pereira de Medeiros por atos de improbidade administrativa relativos à máfia dos sanguessugas. Darci e Luiz Antonio Vedoin são donos da Planam, empresa suspeita de liderar um esquema de venda superfaturada de ambulâncias para prefeituras. O esquema também envolveria parlamentares, suspeitos de receberem comissão para elaborem emendas ao orçamento prevendo a compra dessas ambulâncias.
O empresário Ronildo Pereira de Medeiros também é acusado de pertencer ao esquema dos Vedoin. A Procuradoria denunciou ainda os ex-deputados federais Ildeu Alves de Araújo (PP-SP), Irapuan Teixeira (PP-SP) e Wanderval Lima dos Santos (PR-SP), além do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Gastão Wagner de Sousa Campos.
Também foram denunciadas servidoras do ministério da Saúde e funcionárias da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Dois Córregos.
Em Dois Córregos, a Controladoria Geral da União e o Ministério da Saúde estima que os acusados chegaram a causar um prejuízo de quase R$ 610 mil aos cofres da União. O MPF constatou que foram firmados seis convênios irregulares entre o Ministério da Saúde e a Santa Casa de Dois Córregos.
Na ação, o Ministério Público pede liminarmente a indisponibilidade dos bens dos acusados e as suas declarações do imposto de renda dos últimos cinco anos. Na decisão de mérito, pede que os acusados percam a função pública, a suspensão de seus direitos políticos e pagamento de multa.
Prejuízo
A máfia dos sanguessugas, desarticulada pela Polícia Federal, causou um prejuízo de R$ 15,5 milhões aos cofres públicos. Isso é o que mostra análise feita em 2008 pela CGU (Controladoria-Geral da União) e Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do Ministério da Saúde) em 1.000 convênios de compra de ambulância fechados com cerca de 600 municípios do país.
Os auditores da CGU concluíram que houve superfaturamento em 70% dos convênios analisados. Em 23% dos dos convênios, as ambulâncias adquiridas e entregues não estavam sendo utilizadas. A CGU verificou ainda que em 27% dos casos os processos licitatórios não apresentaram pesquisa de preços. As licitações apresentaram evidências de conluio entre os participantes, informa a CGU. Os convênios analisados totalizaram R$ 99 milhões.
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