Collor desiste de disputa com Azeredo e agora quer comissão que seria de Ideli
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) abriu mão de disputar a presidência da CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado com o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), numa briga que dividiria a base aliada do governo federal e a oposição. Collor reivindica agora a presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado, que seria ocupada pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC).
| Sérgio Lima/Ueslei Marcelino/Folha Imagem |
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| Fernando Collor de Mello desistiu da disputa com Eduardo Azeredo por comissão |
A Folha Online apurou que o recuo de Collor foi articulado pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), durante jantar na noite desta segunda-feira organizado pela senadora Roseana Sarney (PMDB-MA). O PMDB fez o apelo para Collor recuar da disputa direta com o PSDB, mas sugeriu que o petebista deveria reivindicar a vaga do PT.
A mudança de foco levou a disputa entre governo e oposição para dentro da base aliada governista. O PTB argumenta que tem direito a presidir uma das comissões do Senado porque, durante a campanha eleitoral de Sarney, recebeu do PMDB o compromisso de que ficaria com o comando da Comissão de Relações Exteriores.
A tradição do Senado, porém, é dividir as presidências das comissões permanentes da Casa de acordo com o tamanho das bancadas partidárias. As legendas que reúnem o maior número de senadores têm prioridade na escolha nos comandos das comissões, sucessivamente, até que todos estejam preenchidos.
O PSDB não abriu mão da CRE com o argumento de que, como segunda maior bancada no Senado, tem direito a ficar com o comando da comissão. Além disso, os tucanos dizem ter o apoio da maioria dos senadores para eleger Azeredo numa eventual disputa do tucano com Collor no plenário do Senado.
Ao perceber que Collor poderia ser derrotado em plenário, o PTB mudou o foco. Na disputa com o PT, os petebistas têm o apoio do DEM para presidir a Comissão de Infra-Estrutura --uma vez que os democratas apoiaram publicamente Sarney contra o petista Tião Viana (PT-AC) na corrida pela presidência do Senado.
"Existe oposição e governo, cabe à oposição escolher os seus caminhos", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).
O PSDB, que apoiou Tião, defende que Ideli fique com a presidência da Comissão de Infra-Estrutura. "O PSDB vai apoiar a Ideli. A gente cumpriu o compromisso de ficar com qualquer partido que respeite a proporcionalidade na Casa", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Impasse
Os trabalhos do Senado estão paralisados desde o dia 2 de fevereiro, início do ano legislativo, em consequência da disputa pelo comando das comissões. Em busca de uma solução para o impasse, líderes governistas se reúnem nesta terça-feira para tentar afinar o discurso com o PTB. Sem o acordo, todas as outras indicações para as presidências das demais comissões e dos seus integrantes ficaram prejudicadas.
Este ano ainda não houve nenhuma reunião das comissões do Senado, nem votações em plenário --que não foram retomadas desde que Sarney se elegeu presidente da Casa.
Oficialmente, Sarney nega que os trabalhos na Casa estejam paralisados. O peemedebista afirma que as comissões do Senado têm autonomia para retomar suas atividades tendo como presidentes os parlamentares mais antigos entre os seus integrantes --enquanto as presidências não são definidas pelos partidos.
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