Oposição defende afastamento de diretor do Senado suspeito de omitir imóvel
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Senadores da oposição defenderam nesta segunda-feira o afastamento do diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, acusado de usar o irmão para esconder da Justiça a propriedade de uma casa avaliada em cerca de R$ 5 milhões. Os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Álvaro Dias (PSDB-PR) avaliam que as investigações sobre o caso ficarão prejudicadas se Agaciel permanecer no cargo.
"A primeira denúncia sempre precede a outras que podem complicar a vida do servidor. Enquanto durarem as investigações, ele deve ser afastado. A Casa fica sob tiroteio intenso", afirmou Demóstenes.
Apesar de cobrar cautela nas acusações contra Agaciel, Dias disse que o servidor deveria deixar o cargo até o final das investigações. "Os esclarecimentos são necessários neste momento. O Congresso tem que ser preservado a qualquer preço. As pessoas passam, a instituição fica. Defendo o afastamento até que os esclarecimentos sejam apresentados", afirmou o tucano.
Demóstenes pediu ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para afastar Agaciel do cargo. O peemedebista, porém, disse que vai mantê-lo na Diretoria Geral da Casa até o final das investigações. "Só tem uma pessoa que pode afastá-lo: o presidente Sarney. Como a lei não prevê explicitamente o afastamento, cabe ao presidente essa decisão", afirmou o democrata.
Justificativas
Agaciel telefonou nesta segunda-feira para os dois senadores com o objetivo de apresentar suas justificativas à denúncia. O diretor quer encaminhar aos parlamentares cópia da sua declaração do Imposto de Renda, de 1996, na qual consta a declaração da casa. Apesar de ter declarado o imóvel, Agaciel admitiu que a casa está no nome do seu irmão.
"Esse foi o meu único erro, como era um negócio fraternal, de família, não fui ao cartório transferir o imóvel, o que vou fazer agora", disse.
Agaciel disse que declarou o imóvel ao fisco em 1996 porque não poderia "esconder a casa onde mora". O diretor negou que, na época, os seus bens estariam indisponíveis --motivo que o teriam levado a não passar o imóvel para o seu nome. O diretor chegou a confirmar à Folha, porém, que o imóvel não foi declarado porque ele tinha pendências judiciais, mas hoje voltou atrás na sua versão.
Agaciel disse que a Folha também "superestimou" o valor da sua casa, uma vez que o imóvel vale apenas R$ 2,5 milhões por estar localizado próximo a uma estação de tratamento de lixo --o que desvaloriza a casa pelo mau cheiro encontrado no local.
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