ACM Neto nega que tenha preservado deputado do castelo com notificação secreta
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O corregedor-geral da Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), negou nesta terça-feira que tenha tentado preservar o deputado Edmar Moreira (DEM-MG) --acusado de usar indevidamente a verba indenizatória-- ao notificá-lo discretamente e sem informar à imprensa, ontem à no final da tarde. ACM Neto disse ainda que o ato foi rápido porque Moreira procurou os funcionários para receber o documento.
"Ele [Moreira] telefonou ontem logo cedo informando que viria à Câmara para receber a notificação. O parlamentar tem a faculdade de escolher o horário e o local que quer ser notificado. Só não pode ser no plenário da Casa", disse ACM Neto. "Não houve esforço [para preservar] o deputado Edmar Moreira."
A Folha Online apurou que Moreira recebeu a notificação, por meio de um funcionário da Corregedoria Geral da Câmara, por volta das 16h em um dos corredores do anexo 4, da Câmara, onde está localizado seu gabinete. De acordo com seus assessores, o deputado não apareceu hoje no seu gabinete no sexto andar do prédio.
Moreira está sem aparecer na Câmara desde o último dia 4, quando vieram à tona denúncias de irregularidades envolvendo seu nome. ACM Neto confirmou que Moreira terá até a próxima segunda-feira (9) para se manifestar sobre o pedido de explicações apresentado pelo PSOL, que o acusa de usar irregularmente a verba indenizatória no valor de R$ 15 mil mensais.
O deputado de Minas Gerais é suspeito de ter usado a verba indenizatória para contratar empresa de segurança privada a qual é proprietário. As denúncias contra o deputado surgiram depois de ele ter sido eleitor corregedor-geral e segundo-vice-presidente da Câmara. O deputado não registrou o uso da verba em fevereiro.
A verba indenizatória foi criada em 2001 é utilizada pelos parlamentares para o reembolso de gastos nos Estados com combustível e assessorias, entre outras despesas.
Até o começo de abril a Câmara vai colocar na internet, em 30 dias, o detalhamento dos gastos. No Senado, o presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB-AP), sinalizou ontem que também pretende fazer o mesmo.
Eleito corregedor-geral e segundo-vice-presidente da Câmara no dia 2 de fevereiro, Moreira ficou menos de uma semana nos cargos.
O deputado foi pressionado a abrir mão das funções em decorrência de uma série de acusações, como o fato de não ter declarado a existência de uma mansão em forma de castelo, no interior de Minas Gerais, no valor de R$ 25 milhões.
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