Procuradoria denuncia ex-prefeitos por elo com a máfia das sanguessugas em Tocantins
da Folha Online
O Ministério Público Federal em Tocantins apresentou nesta terça-feira à Justiça Federal mais quatro ações civis públicas por improbidade administrativa contra ex-prefeitos por suposto envolvimento com a máfia dos sanguessugas --esquema que desviava verbas federais destinadas à compra de ambulâncias.
Foram denunciados nas ações os ex-prefeitos Aluísio Tenório Marques (PSDB), de Guaraí; Antônio Tavares de Sales (PSDB), de Recursolândia; Suair Mariano de Melo (PSDB), de Caseara; Maria Aparecida da Silva (PP), de Itaporã do Tocantins. Eles administraram seus municípios no período de 2001 a 2003 e não foram localizados pela reportagem para comentar o assunto.
Com as quatro ações protocoladas hoje, totalizam 17 as denúncias feitas pelo Ministério Público Federal em Tocantins com base no relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) sobre os municípios do Estado.
A Procuradoria também incluiu nas ações os empresários Darci José Vedoin e Luiz Antônio Trevisan Vedoin, sócios das empresas vencedoras das licitações fraudulentas
Segundo a Procuradoria, o esquema de fraude em Tocantins é praticamente o mesmo: os empresários se aliaram a deputados que apresentavam emendas ao Orçamento da União para convênios com o Ministério da Saúde. Os processos licitatórios para contratar as empresas eram fraudados para beneficiar as empresas do esquema.
Máfia
A máfia dos sanguessugas foi desmontada pela Polícia Federal em 4 de maio de 2006.
Liderado pelos empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, donos da Planam, o grupo atuava tanto no Congresso --pagava propina por emendas parlamentares destinadas à compra de ambulâncias e materiais hospitalares-- quanto na licitação nos municípios beneficiados com as verbas.
Segundo a denúncia, havia um "núcleo parlamentar" que viabilizava a aprovação das emendas, "possibilitando, assim, adquirirem de forma superfaturada ambulâncias da Planam e outras empresas de fachada".
Os supostos pagamentos da Planam aos parlamentares, diz a denúncia, eram feitos por meio de intermediários "de forma a dificultar a identificação da origem espúria da riqueza". No total, a quadrilha teria movimentado R$ 110 milhões.
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