Sem interferência de Lula, eleição de Collor enfraquece PT e fortalece o PMDB
da Folha Online
Por 13 a 10, o senador Fernando Collor (PTB-AL) venceu a colega Ideli Salvatti (PT-SC) na disputa pela Comissão de Infraestrutura do Senado. A vitória de Collor faz parte do acordo firmado no início do ano para eleger José Sarney (PMDB-AP) presidente do Senado. Como Collor, Sarney também venceu um petista: o senador Tião Viana (AC).
| 12.abr.2007/AP |
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| Fernando Collor foi eleito com 13 votos contra dez recebidos por Ideli Salvatti |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manteve distante dos dois embates. Não interferiu por entender que essa era uma disputa do Congresso. Para alguns petistas, o presidente foi ausente demais por não fazer nenhum esforço para ajudar a eleger um colega de partido.
Mais do que enfraquecer o PT, a vitória de Collor sinaliza o fortalecimento do PMDB. A candidatura de Collor foi articulada por Renan Calheiros (PMDB-AL), que também capitaneou a vitória de Sarney.
Com isso, o PMDB --que já reúne as maiores bancadas da Câmara e do Senado-- elegeu o maior número de prefeitos em outubro, ganhou as presidências da Câmara e do Senado em fevereiro, e hoje ficou com as presidências das principais comissões das duas Casas --como a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. O partido também controla cinco ministérios: Hélio Costa (Comunicações), Geddel Vieira (Integração Nacional), José Gomes Temporão (Saúde), Nelson Jobim (Defesa) e Edison Lobão (Minas e Energia).
O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), chamou de "aliança espúria" o acordo firmado entre Renan e Collor. Aliado de Ideli, Mercadante disse que os acordos políticos firmados no Senado não podem colocar em risco o exercício democrático no Congresso.
Collor rebateu a acusação. "Relação espúria, não. Foi um acordo inteiramente aberto que todo mundo participou, todo mundo soube. O senador Aloizio Mercadante precisa medir um pouco suas palavras para respeitar seus companheiros aqui do Senado", disse Collor.
Renan disse que o PMDB apenas cumpriu o compromisso firmado com o PTB durante a campanha do senador José Sarney. Renan disse que ela acabou vitima de decisões equivocadas tomada pelo PT. "A Ideli é uma pessoa muito correta, pena que ela tivesse que pagar o preço desse equívoco político, dessa condução errada. Os partidos da base conflitaram interesse. Na eleição [para a presidência do Senado], os partidos honraram os compromissos", disse.
Acordo
O acordo para garantir a escolha de Collor foi firmado por Renan depois que o PTB se comprometeu em eleger Sarney para a presidência do Senado. Desde então, as relações entre PT e PMDB ficaram estremecidas na Casa.
O PT argumenta que, pela tradição da Casa, deveria ficar com a presidência da Comissão de Infraestrutura por ser a terceira maior bancada do Senado --onde os partidos têm como hábito ceder os comandos das comissões aos partidos que reúnem as maiores bancadas. Os maiores vão escolhendo as comissões que lhe interessam, cumprindo a regra da proporcionalidade
Inicialmente, os petebistas cobravam a presidência da CRE (Comissão de Relações Exteriores), que será presidida pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Diante da possibilidade da oposição derrubar, no voto, a escolha de Collor para o cargo, o PTB mudou o foco e escolheu a Comissão de Infraestrutura --onde Renan conseguiu incluir senadores do seu grupo político.
2010
Em mensagem postada em janeiro em seu blog, o ex-ministro José Dirceu disse que a candidatura de Sarney fortalecia o presidente Lula, mas enfraquecia o PT.
"Toda essa operação enfraquece o PT, que estará fora da presidência das duas Casas pela primeira vez desde que Lula chegou ao Palácio do Planalto. Nos últimos três anos, pela necessidade de compor uma maioria segura na Câmara e no Senado --aqui, não tem conseguido--, o governo cedeu espaços na máquina federal para os partidos da base aliada, em prejuízo da participação do PT", diz Dirceu em post publicado em seu blog.
Na avaliação de alguns petistas, o presidente Lula quer transformar o PMDB no principal aliado para dessa forma conseguir apoio à candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na sucessão presidencial de 2010. O PMDB é tido como partido que vai indicar o candidato a vice na chapa de Dilma.
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