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Brasil
07/03/2009 - 09h28

Comissão concede anistia a mulheres perseguidas durante o regime militar

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LUCAS FERRAZ
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Em sessão de homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu ontem anistia e reparação financeira a mulheres que combateram e foram perseguidas pela ditadura militar (1964-85). Nos 17 processos analisados foram contemplados também, postumamente, ex-maridos, pais e irmãos das mulheres.

Entre as anistiadas, duas estão entre as personagens mais emblemáticas do período de resistência e que, por consequência, tiveram suas famílias quase dizimadas pelas forças de repressão: Iara Xavier e Denise Crispim.

Desde cedo envolvida com a política, por influência dos pais, Iara conviveu em casa com Carlos Marighela --quem, segundo ela, a "inspirou a ser a pessoa que é'.

Ex-integrante da ALN (Ação Libertadora Nacional), Iara pegou em armas, treinou guerrilha em Cuba e participou de diversas expropriações. Nunca foi presa, mas perdeu os dois irmãos em menos de seis meses. Alex foi morto em janeiro de 72 e Iuri, em junho. A mãe foi presa e torturada.

O marido, Arnaldo Cardoso Rocha, também da ALN, foi morto em 1973, quando Iara estava grávida de três meses. Ela receberá de indenização R$ 100 mil.

Denise, que vive na Itália desde que deixou o país, nos anos 70, perdeu o companheiro, Eduardo Leite (conhecido como "Bacuri") quando estava grávida dele, de seis meses. Disse tê-lo visto pela última vez na prisão, "desfigurado'.

Seus pais também foram perseguidos e o irmão foi assassinado em 1970. Denise, muito emocionada na sessão, reclamou do valor da pensão, de R$ 1.236 mensais --mais indenização de R$ 110 mil. "Me senti humilhada. Uma avaliação de uma vida baseada em forte conotação burocrática."

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), outra perseguida pela ditadura, foi convidada a participar da sessão, mas não pôde comparecer por falta de agenda. Em carta, ela se referiu à "perigosa travessia" e exaltou o papel das mulheres.

Comentários dos leitores
Sergio Lavinas (205) 27/11/2009 09h11
Sergio Lavinas (205) 27/11/2009 09h11
"Comissão anistia Paulo Freire e viúva receberá indenização"
Indenização de R$100.000,00 por mês!
Pergunto: Se somente o Paulo Freire era gênio, porque pagar tanto dinheiro para a mulher, que nem tem o nome de Freire?
O nome de Paulo Freire merece, sim, nosso respeito.
Só o nome da pessoa Paulo Freire!
Paguem, para a mulher do Paulo Freire, o que todos nós, brasileiros comuns, vale um misero salário mínimo.
Paguem o salário mínimo para a esposa.
Os filhos e netos devem ir trabalhar, como o Paulo Freire trabalhou.
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Saulo Mundim Lenza (628) 26/11/2009 22h08
Saulo Mundim Lenza (628) 26/11/2009 22h08
Até parece piada.
Mas não é não.
É distribuição de dinheiro público mesmo!!!
sem opinião
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O Pacificador (205) 26/11/2009 11h17
O Pacificador (205) 26/11/2009 11h17
Essas "Comissões de Anistia", continuam de vento em popa...
É uma das poucas coisas que funcionam 100% no Brasil. Pena que isso também não aconteça com os precatórios...
Mas essas "comissões", são interessantes. Elas premiam, muitas vezes, quem queria derrubar o governo militar de direita, para instituir uma ditadura de esquerda.
Aquelas pessoas, ao que se sabe, não tinham interesse em trazer a "democracia" de volta. Era uma simples troca de um regime linha dura, por outro pior ainda.
Essa história, a verdadeira, um dia ainda será posta na mesa...
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