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Brasil
15/09/2003 - 16h46

Cristovam reclama de verba e diz que é preciso elaborar o que é o "lulismo"

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da Folha Online

Em entrevista ao diário espanhol "El País", o ministro da Educação, Cristovam Buarque, voltou a reclamar do orçamento apertado para sua pasta e disse que ainda é preciso elaborar o que é o "lulismo" no país.

"Para a educação e para todo o social em geral, teria sido desejável um orçamento mais generoso. Por isso, quando Lula nos apresentou, eu me atrevi a lhe dizer que o projeto não tinha a sua cara, a cara da esperança que o povo havia depositado nele. Eu sou realista", disse, em entrevista feita durante a 13ª edição da Conferência Iberoamericana de Educação, realizada na semana passada na cidade boliviana de Tarija. Ele foi mediador do evento.

Disse que apóia a atual política econômica do ministro Antonio Palocci (Fazenda) e "até entende que, pela herança recebida", Lula não tenha podido apresentar um Orçamento mais voltado para a educação e o social. "Mas o que teria gostado é que me tivesse dito", completou.

PT x PT

Buarque afirmou que as divergências entre o governo Lula e alguns congressistas do PT sobre as reformas da Previdência e tributária se devem ao fato do partido "não ter feito as contas com seu passado antes de chegar ao poder".

"E agora se encontra com várias almas que lutam entre si. Eu entendo que tenha que punir os deputados que votem contra as reformas do governo, mas compreendo também que alguns companheiros não entendam porque têm que votar o contrário do que sempre defendeu o partido, sem que tenha havido um congresso extraordinário que indique que tipo de partido se deseja agora que a esquerda chegou ao poder", disse.

Declarou que "o PT havia nascido para defender algumas categorias concretas", citando como exemplo funcionários públicos e sindicalistas, e que, como o mundo e o Brasil mudaram, ainda é preciso "elaborar o que é o 'lulismo', algo que é sem dúvida importante e sugestivo".

Buarque disse também que "não aceitou ser ministro a qualquer preço" e rechaçou a possibilidade de deixar o governo na futura reforma ministerial.

"Não creio que vou sair, mas o que é certo é que não seria ministro a qualquer preço. Aceitei ser ministro, como havia sido governador ou reitor da Universidade Federal de Brasília, para trabalhar pelo sonho de uma educação de qualidade para todos os brasileiros. Só isso me interessa, e o Lula, que sofreu na carne o fato de não poder estudar tudo o que houvesse desejado, e de ter uma mãe analfabeta, sabe e me entende muito bem."
 

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