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Brasil
17/03/2009 - 16h35

Temer encontra brecha jurídica para impedir que MPs tranquem votações na Câmara

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), encontrou uma brecha jurídica para impedir que as medidas provisórias tranquem as votações da Casa Legislativa depois que o seu prazo de votação está vencido.

Temer anunciou hoje, durante reunião com líderes partidários, que a Câmara só está impedida de votar leis ordinárias quando sua pauta de votações estiver trancada por MPs. Os deputados estariam livres para votar matérias como PECs (proposta de emenda constitucional), resoluções e leis complementares em sessões extraordinárias da Casa --por não serem leis ordinárias.

Temer vai comunicar o plenário da Câmara hoje sobre a sua interpretação, que deve passar a ter vigência imediata na Casa. Advogado constitucionalista, o deputado considera que somente as leis ordinárias não podem ser analisadas pelos parlamentares quando medidas provisórias com prazo de votação vencido estiverem na fila, à espera de análise.

Críticas

A interpretação do presidente da Casa, no entanto, não é consenso entre os 513 deputados. Irritado com os argumentos de Temer, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) abandonou a reunião de líderes e prometeu recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a decisão do presidente da Casa. O líder democrata argumenta que Temer agiu de forma monocrática ao decidir mudar a sistemática de votações, sem o aval de todos os partidos.

"Nós fomos surpreendidos pelo presidente da Câmara, que é um constitucionalista. Isso causou perplexidade a todos nós. Eu me retirei da reunião, vamos recorrer ao STF. É inaceitável que um constitucionalista imponha sua vontade, retirando da Casa as suas prerrogativas", reagiu Caiado.

No modelo atual, as MPs passam a trancar a pauta de votações da Câmara e do Senado após 45 dias de tramitação --o que impede a análise de outras matérias prioritárias para os parlamentares a partir do trancamento. A Câmara aprovou em primeiro turno, no final do ano passado, PEC que altera o rito de tramitação das MPs. A proposta ainda precisa ser aprovada em segundo turno pelos deputados, depois pelos senadores, antes de sair do papel.

Com a demora na sua tramitação, Temer encontrou uma brecha constitucional para evitar a paralisia dos trabalhos Casa --que está com a pauta trancada pela MP 449, que modifica a cobrança de dívidas tributárias. Sem consenso entre os deputados, a Casa está há mais de duas semanas sem votações em plenário.

PEC das MPs

O texto da PEC flexibiliza o trancamento ao permitir a inversão de pauta de votações após apresentação de requerimento pela maioria absoluta (metade mais um dos parlamentares) dos deputados ou senadores --para evitar que a MP tranque as votações.

As medidas provisórias passariam a ser incluídas como primeiro item da pauta de votações no 16º dia de tramitação na Câmara ou Senado, mas os parlamentares ficam autorizados a apresentar o requerimento de inversão de pauta para retirá-las da análise do plenário --o que automaticamente libera as demais votações.

A proposta mantém em 120 dias o prazo de validade das medidas --que entram em vigor no momento da sua edição pelo Executivo. A PEC também submete a admissibilidade das medidas às comissões de Constituição e Justiça da Câmara e do Senado, além de exigir que as MPs tenham homogeneidade em seu conteúdo.

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (1365) 09/07/2009 20h00
Alcides Emanuelli (1365) 09/07/2009 20h00
O faz nosso Parlamento, e nosso executivo!
Eles fazem leis que serão aprovadas e colocadas em execução, o outro é o executor dessas leis e tambem tem o poder de legislar.
E começa a grande fanfarra das leis:
De incentivo ao esporte amador, de incentivo as ONGs, de incentivo a cultura, de incentivo a muita coisa que pode levar o dinheiro do povo brasileiro.
Nesse ponto entram as Estatais que estão sempre financiando uns e outros desses incentivos e desses esportes tidos como amadores com salarios mensais maiores muito maiores que o salario minimo.
O que nossos politicos fazem, são projetos para beneficiar todo um sistema corporativista que interage entre si.
E a Nação o povo coitado, fica na berlinda, fica de lado e exposto a todo o tipo de sorte que possa conseguir para sobreviver nessa onde de violência.
E o dinheiro vai saindo fazendo um mensalão aqui, outro mensalão ali, e muitos mensalões vão sendo construidos se transformando na maior industria do mundo com o produto sendo a corrupção.
Realmente tudo isso é vergonhoso e o pior é que ninguem faz nada para evitar tanta violencia contra a Nação brasileira.
E vem eleições, sai as eleições e o povo burro, comprado, manipulado, massa de manobra, vota sempre sa mesma cambada de safados, e eternamente essa vergonha toda se institucionaliza nos fazendo de refens dessa covarde atitude de um poder politico.
sem opinião
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Sudeste/ sudestino (112) 21/06/2009 10h12
Sudeste/ sudestino (112) 21/06/2009 10h12
Deu no "Financial Time" que os EUA incorporaram NOVAS TERRAS para produção agrícola e terão um lucro líquido de U$92,3 bilhões de dólares na atual safra. Os EUA podem incorporar novas terras e nós não? SERÁ QUE SOMOS MAIS RICOS QUE OS EUA?
Ou essa política radical ambientalista é para evitar a concorrência internacional no agronegócio? Enquanto eles aumentam suas áreas, mandam ONGs para doutrinar os brasileiros a não produzirem e eles permanecerem hegemônicos e mais ricos.
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marcelo coelho (2) 21/06/2009 05h32
marcelo coelho (2) 21/06/2009 05h32
Espero acessar conteúdos formadores de opinião além de estar bem informado sobre as atualidades. sem opinião
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