Em homenagem a Clodovil, CCJ do Senado aprova que enteado use nome do padrasto
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em homenagem ao deputado Clodovil Hernandez (PR-SP), morto nesta terça-feira, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou nesta quarta-feira projeto de lei da sua autoria que permite aos enteados adotarem os sobrenomes do pai e da mãe adotivos. O projeto não retira o nome da família biológica, mas permite que o filho adotivo também tenha direito a utilizar o nome da nova família.
Na sessão da CCJ, os parlamentares fizeram uma série de homenagens ao deputado-estilista. O presidente da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), disse que o projeto de Clodovil aproxima o Brasil da legislação internacional e valoriza os vínculos afetivos entre as pessoas ---aspecto que tem sido bastante valorizado nas recentes decisões judiciais.
A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que concedeu parecer favorável ao projeto, disse que o texto reflete a própria vida de Clodovil --que foi filho adotado por um casal de espanhóis. O deputado nunca escondeu o amor pela mãe adotiva, ao lado de quem será enterrado nesta quarta-feira, em São Paulo.
O projeto segue para votação em regime de urgência no plenário do Senado para, posteriormente, ser encaminhado à sanção presidencial. O texto já foi aprovado pela Câmara.
Morte
Clodovil morreu ontem vítima de um AVC (acidente vascular cerebral) hemorrágico, após sofrer um parada cardíaca. Ele será enterrado nesta quarta-feira no final da tarde no Cemitério Morumbi, em São Paulo. Antes o corpo do parlamentar será velado na Assembleia Legislativa de São Paulo.
O estilista começou a carreira política em 2006, quando venceu as eleições para a Câmara dos Deputados.
Clodovil foi eleito pelo PTC em 2006, mas se filiou ao PR depois do prazo fixado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre fidelidade partidária. Desde março de 2007, o TSE determina que o deputado que mudar de partido deve apresentar um motivo que justifique a mudança.
Na última quinta-feira (12), o tribunal decidiu que Clodovil não poderia perder o mandato por ter se desfiliado do PTC. Para os ministros, houve grave discriminação pessoal ao parlamentar, o que justificaria sua mudança de partido.
Os problemas de saúde de Clodovil começaram a surgir em 2005, quando ele foi diagnosticado com câncer de próstata. Ele retirou o tumor em uma cirurgia e não precisou fazer tratamentos complementares.
Em 2007, Clodovil foi internado com paralisia de leve intensidade do braço direito. A paralisia foi causada por AVC hemorrágico, decorrente de hipertensão arterial.
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