Senado exonera 50 diretores, recolhe carros oficiais e estuda redução de terceirizados
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em meio à onda de denúncias que arranhou a imagem do Senado nas últimas semanas, o primeiro-secretário da instituição, Heráclito Fortes (DEM-PI), determinou nesta quinta-feira a exoneração imediata de 50 dos 181 diretores que integram o comando da Casa Legislativa. A medida foi tomada um dia depois do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), anunciar o corte de metade dos diretores da Casa.
No ato assinado por Heráclito, o senador pede que o diretor-geral da instituição, Alexandre Gazineo, adote as "providências necessárias" para a imediata exoneração de ocupantes de 50 cargos de direção ou função equivalente.
"Estamos procurando desde o primeiro momento tomar medidas para que os ajustes sejam feitos, inclusive tendo em vista a crise econômica que o país passa e o Senado tem por obrigação, numa hora como essa, dar o exemplo. Evidentemente que a sucessão de fatos, o interesse da opinião pública através da imprensa em querer resultados dos fatos ocorridos, tem nos tirado do foco dos nossos objetivos", afirmou.
No ato, que entra em vigor amanhã, Heráclito também determina que o diretor-geral recolha os carros oficiais utilizados pelos diretores da Casa --com exceção da diretoria-geral e da Secretaria Geral da Mesa.
O texto também pede que Gazineo apresente um plano de redução adicional de cargos de direção no Senado. Heráclito determina, no ato, a redução de quadro de servidores terceirizados lotados na área de Comunicação Social --que reúne quase 20 diretores na Casa.
O democrata pede que o diretor determine a nomeação imediata dos candidatos aprovados em concurso realizado pela Casa para o setor. "Após a nomeação das áreas de comunicação social, o diretor-geral deverá adotar as providências necessárias para a nomeação dos aprovados em concurso público das demais áreas", diz o ato assinado por Heráclito.
Protestos
Irritados com as denúncias contra o Senado, vários parlamentares ocuparam a tribuna da Casa nesta quinta-feira para protestar contra o excesso de diretores da instituição. O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), disse que o Senado conseguiu produzir até "diretor de rinha de galo" --numa ironia aos 181 servidores que ocupam cargos de diretoria.
"Se vierem todos os diretores ao plenário, há um tremor de terra, eles não podem vir. Tem diretor de garagem, de rinha de galo, deve ter de tudo. Reclamo do governo do presidente Lula que tem 37 ministros. Mas o Brasil funciona com 20 ministérios, sim", afirmou o tucano.
Para o senador José Agripino Maia (DEM-RN), as denúncias desestimulam os parlamentares a permanecerem na Casa. "O que está ocorrendo no Senado hoje é uma coisa que denigre o currículo dos que aqui estão, que são pessoas com história. Neste momento, não está valendo muito a pena ser senador, não. Perante a opinião pública, há exemplos que são postos que nivelam por baixo a Casa."
O senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) afirmou que a instituição precisa passar por uma ampla reforma. "Eu estou envergonhado. A gente precisa ajudar o presidente Sarney a promover uma profunda reforma. Defendo que somente dez diretores sobrevivam a essa limpeza", afirmou.
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