Brasil
25/03/2009 - 18h52

Fiesp diz "não temer qualquer tipo de investigação"

Publicidade

da Folha Online

Em nota divulgada nesta quarta-feira, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) afirma que é uma entidade apolítica e independente, voltada aos interesses coletivos da indústria paulista e da sociedade brasileira, e diz não temer qualquer investigação.

Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem
Policiais Federais dentro da construtora Camargo Corrêa, na Vila Olimpia
Policiais Federais dentro da construtora Camargo Corrêa, na Vila Olimpia

Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, um dirigente da Fiesp foi citado em uma das conversas grampeadas pelos investigadores da operação que resultou hoje na prisão de quatro diretores e duas secretárias da empreiteira Camargo Corrêa.

"A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo é uma entidade apolítica, independente, voltada aos interesses coletivos da indústria paulista e da sociedade brasileira. Não se envolve, de maneira alguma, em eventuais relações entre empresas do setor que representa e partidos políticos, ou candidatos deles."

A entidade diz que "não teme qualquer investigação, acompanha os fatos com o mesmo interesse da sociedade e está confiante no trabalho da Justiça".

O nome do dirigente da Fiesp não deve ser divulgado oficialmente pelas autoridades envolvidas na operação, já que ele é apenas citado nas conversas. A investigação ainda vai respingar em alguns dos principais partidos políticos do país.

A informação está causando alvoroço em Brasília, em especial entre partidos que têm maior contato com a entidade --que também já foi informada da citação e deve se manifestar em breve.

A Polícia Federal prendeu hoje dez pessoas suspeitas de cometerem crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Entre os presos estão, além dos funcionários da construtora, três doleiros. Segundo a PF, um dos articuladores do esquema também foi preso. Os nomes dos detidos, no entanto, não foram divulgados.

De acordo com a PF, a operação, batizada de Castelo de Areia, foi deflagrada para desarticular uma suposta quadrilha inserida na construtora. Em um dos locais investigados no Rio, a polícia apreendeu R$ 1,5 milhão. Ao todo, foram expedidos dez mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão.

Esquema

De acordo com o Ministério Público Federal, um desses doleiros constituiu uma empresa de fachada em uma estrada de terra no Rio de Janeiro. Essa empresa emitia remessas para o exterior rotuladas como pagamento a fornecedores.

A investigação também identificou um doleiro suíço, naturalizado brasileiro, ex-funcionário de um grande banco daquele país no Brasil. Ele falava o tempo inteiro em código com os diretores da Camargo Corrêa, usando nomes de animais para se referir a pessoas e moedas.

Quando não tratavam diretamente com os diretores, os doleiros conversavam com as secretárias, que recebiam e remetiam, por fax, as ordens e instruções de pagamentos em favor da Camargo Corrêa.

"É de impressionar o grau de rapidez e coordenação na efetivação das transações financeiras ilegais, inclusive as internacionais, o intento de simulação para ludibriar as autoridades quanto à sua identificação e destino final dos recursos evadidos, logrando os integrantes da organização criminosa alcançar a lavagem de seus ativos, por meio de fraudes junto ao Banco Central", afirmou a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn na manifestação em que pediu as prisões dos investigados.

De acordo com o Ministério Público, "a investigação se deparou também com pelo menos uma obra superfaturada, a construção de uma refinaria em Pernambuco, e doações não-declaradas [ilegais] e declaradas do grupo empresarial para partidos políticos, mas ainda é preciso apurar quem são as pessoas e ou campanhas políticas beneficiárias dos recursos. As interceptações telefônicas autorizadas judicialmente indicam que pelo menos três partidos receberam doações".

Outro lado

Por meio de nota, a Camargo Corrêa se disse perplexa com a operação e que confia nos funcionários detidos, embora ainda não tenha acesso às informações da PF.

"A Camargo Corrêa vem a público manifestar sua perplexidade diante dos fatos ocorridos hoje pela manhã, quando a sua sede em São Paulo foi invadida e isolada pela Polícia Federal, cumprindo mandado da Justiça. Até o momento a empresa não teve acesso ao teor do processo que autoriza essa ação", afirmou a empresa.

Com Folha Online

Comentários dos leitores
joao michelini (70) 24/11/2009 12h18
joao michelini (70) 24/11/2009 12h18
BNDS
Quando sera que farao uma auditoria nessa mina de dinheiro publico.
Pequenos e medios empresarios sabem muito bem quanto é dificil e burocratico conseguir um emprestimo nesse BNDS.
Mas para os amigos da corte a dinheirama corre solta.
AMBEV - 319 MILHOES
EIKE BATISTA - 3 BILHOES não é a toa que seja o mais rico do brasil.
GRENDENE - 318 MILHOES
FRIBOI - 1.4 BILHAO
ODEBRECHT - 7 BILHOES AQUELA EXPULSA DE UM PAIS VIZINHO PELA OBRA MAL FEITA E FINANCIADA PELO MESMO BNDS, SERA QUE DEVOLVEU O DINHEIRO....
OI - 15 BILHOES DINHEIRO PUBLICO PARA COMPRAR COISAS PUBLICAS E CLARO PAGAR AS COMISSOES PARA......
EITA BRASIL.....
sem opinião
avalie fechar
Armando Malato (240) 18/11/2009 08h31
Armando Malato (240) 18/11/2009 08h31
Isto só poderia acontecer no Maranhão, que é onde está localizada a maior Universidade da Corrupção, liderada pela familia Sarney. Como esta Prefeita e seus cumplices vêem que nada acontece com quem rouba o Estado, fez o mesmo e foi presa. Agora vejam se orendem algum membro da familia Sarney, que roubam em muito maior escala. As leis e a Justiça, so alcançam os mais humildes. sem opinião
avalie fechar
Nelson Vaughan (109) 17/11/2009 20h57
Nelson Vaughan (109) 17/11/2009 20h57
O Igor Bevilçaqua foi totalmente feliz na sua colocação. Disse tudo o que poderia ser dito a respeito dos corruptos. sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (341)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca