Sarney diz que vive "recomeço" no comando do Senado após votação de matérias
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Depois de enfrentar nas últimas três semanas uma série de denúncias que arranharam a imagem do Senado, o presidente da Casa Legislativa, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta quinta-feira que vive um "recomeço" no comando da instituição. Ao comemorar a aprovação de projetos que estavam na pauta do Senado esta semana, Sarney disse que sua "longa caminhada começa com um primeiro passo".
"Nós estamos encerrando esta semana votando todas as matérias da pauta da semana inteira dentro do Senado Federal. Algumas dessas matérias estavam desde 2007 na pauta do Senado e nós as votamos nesta semana. De maneira que já é um recomeço", afirmou.
O Senado estava com as votações em plenário paralisadas em meio à onda de denúncias das últimas semanas. Desde que Sarney assumiu o cargo, no início de fevereiro, dois diretores da Casa pediram exoneração após denúncias de envolvimento em irregularidades --Agaciel Maia, ex-diretor-geral, e João Carlos Zoghbi, ex-diretor de Recursos Humanos.
Reportagem da Folha também mostrou que mais de 3.000 funcionários da Casa receberam horas extras durante o recesso parlamentar de janeiro. Ainda houve denúncia de nepotismo em empresas terceirizadas do Senado de funcionários ligados a diretores da Casa, assim como a descoberta de que 181 diretores trabalhavam na instituição --mais que o dobro dos 81 senadores.
Nos bastidores, atribui-se o vazamento de informações aos grupos de Sarney e do senador Tião Viana (PT-AC) --que se enfrentaram nas eleições para a presidência da instituição. Enquanto aliados do petista estariam vazando denúncias contra Sarney e sua filha, a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), o grupo do peemedebista teria divulgado informações contra o petista.
O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) entrou em campo para evitar um racha na base de sustentação do governo federal no Senado. Viana restituiu o Senado pelo gasto feito por sua filha com um celular da Casa na viagem que ela fez ao México, nas primeiras duas semanas de janeiro deste ano. O parlamentar se recusou a informar o valor da conta.
Roseana, por sua vez, foi acusada de usar passagens do Senado para levar a Brasília um grupo de amigos e empresários --que se hospedou na residência oficial de Sarney, que não é ocupada pelo presidente da Casa.
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