Publicidade

Publicidade
Brasil
31/03/2009 - 14h50

Roberto Jefferson diz que objetivo da Castelo de Areia é amordaçar oposição

Publicidade

MARCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson (RJ), afirmou nesta terça-feira que a Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, tinha o objetivo de intimidar as investigações do TCU (Tribunal de Contas da União) e "amordaçar" líderes dos dois maiores partidos da oposição, o DEM e o PSDB.

Na avaliação do presidente do PTB, ao excluir do relatório final das investigações supostas doações ilegais feitas ao PT, PTB e PV pela construtora Camargo Corrêa, a Polícia Federal tornou a operação política.

"A operação teve objetivo claro de amordaçar o TCU e amordaçar os principais lideres dos dois maiores partidos da oposição. Não tenho dúvida de que a operação foi política. Se a Polícia Federal queria saber relações da Camargo Corrêa, não precisava invadir a vida privada dos diretores e secretários da empresa, poderia ter ido a lista de doação da Justiça Eleitoral. A Polícia Federal errou gravemente", afirmou.

Para Jefferson, a discussão em torno de possíveis doações ilegais para partidos políticos demonstra que o foco da investigação foi desviado. "A discussão perdeu o foco. A coisa mais importante que precisa ser esclarecida é se houve superfaturamento na construção da refinaria de petróleo, em Pernambuco. Se houve superfaturamento de R$ 9 bilhões e estamos discutindo doação de R$ 30 mil ou R$ 40 mil. Isso é cortina de fumaça. Tudo que se joga no Congresso fica. A ação do Executivo é que precisa ser investigada", disse.

Jefferson negou que a direção nacional do PTB tinha conhecimento de alguma doação da Camargo Corrêa no valor de R$ 25 mil para um dos diretórios regionais. "Eu me inteirei disso hoje pela manhã e isso não passou pela direção do partido", disse.

Segundo reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, os repasses para os três partidos (PT, PV e PTB) teriam aparecido numa correspondência eletrônica entre um dos diretores da construtora, Fernando Dias Gomes, e Luiz Henrique, tido como representante da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo). No relatório que encaminhou à Justiça, a polícia, no entanto, elencou como possíveis alvos de doações ilegais pela Camargo Corrêa: PSDB, DEM, PPS, PMDB, PSB, PDT e PP.

De acordo ainda com o documento, ao lado de cada partido foi relacionado um valor: "PSDB Comitê Financeiro de São José dos Campos, R$ 25 mil; PSDB, R$ 25 mil; PT Diretório Regional, R$ 25 mil; PTB Comitê Financeiro Municipal, R$ 25 mil; e PV Comitê Financeiro Municipal, R$ 25 mil".

Em nota divulgada nesta terça-feira, a Polícia Federal afirma que o foco da Operação Castelo de Areia são crimes financeiros e lavagem de dinheiro e não financiamento de campanhas políticas. A PF afirma que o tema financiamento de campanhas veio à tona em monitoramentos na época das eleições de 2008. "As conversas monitoradas não falam especificamente de um ou outro partido, mas de vários deles, portanto sem indícios de favorecimento dirigido."

Comentários dos leitores
Sergio Lavinas (235) 19/12/2009 12h37
Sergio Lavinas (235) 19/12/2009 12h37
"Construtora Camargo Correa pede apuração de vazamento"
A Camargo Correa, podia fazer um favor para todos os pagadores de impostos brasileiros e dizer que foi vitima de extosão,
Extorsão; Se uma autoridade cobra dinheiro para agir de uma maneira ou de outra.
Se a Camargo Correa quiser, pode dizer que foi extorquida, e que todas as doações de campanha foram "compulsórias"
O STF não está preparado para lidar com o crime de extorsão, por isso, pode até ser que ele puna algum dos facínoras atualmente em mandato.
Mas, presumo, Camargo Correa jamais fará isso! Seria o mesmo que "Matar a Galinha dos Ovos de Ouro"!
sem opinião
avalie fechar
Rui Ruz Caputi Caputi (1793) 17/12/2009 10h17
Rui Ruz Caputi Caputi (1793) 17/12/2009 10h17
A sempre poderosa Camargo Correia, envolvida em rolos mil com os governos nada republicanos que temos a nos representarem. Não sei exatamente como iremos resolver e cortar toda essa cumplicidade de longos anos. Mas evidentemente algo tem que ser feito, esses financiamentos de campanha precisam ser estancados. Eles consideram que o dinheiro publico não é de ninguem, e que se pode apropriar como lhes convier. O povo tem que ter um maior controle sobre tudo isso, delegamos aos politicos, mas eles não fizeram por merecer ao longo de todos esses anos. Temos que mudar, e achar mecanismos eficientes de monitoração de nossos cofres sociais. sem opinião
avalie fechar
Helena Mansano (3) 16/12/2009 20h20
Helena Mansano (3) 16/12/2009 20h20
Demorou!!!!Estes que aí estão só continuam com as práticas do velho tão "simples" Sebastião, que financiou a ditadura no Brasil, que foi mestre em "ganhar" as concorrências para a sua empresa, e praticou tudo o que foi ilícito em termos de obras neste país. Tomara MESMO que a Polícia Federal peque logo esses vermes e que apodreçam atrás das grades. 1 opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (389)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca