CPI dos Grampos adia depoimentos de Protógenes Queiroz e Paulo Lacerda
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A CPI das Escutas Clandestinas da Câmara adiou para o dia 8 de abril o depoimento do delegado Protógenes Queiroz, marcado para amanhã. O presidente da comissão, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), decidiu transferir a data depois que o ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Paulo Lacerda solicitou que a comissão adiasse o seu depoimento, previsto para esta quinta-feira.
Itagiba disse que quer ouvir Protógenes e Lacerda em datas próximas, por isso decidiu suspender o depoimento do delegado.
A expectativa é que Lacerda seja ouvido pela comissão um dia depois de Protógenes, dia 9 de abril --embora oficialmente o depoimento do ex-diretor da Abin esteja previsto para o dia 15.
Lacerda argumentou a Itagiba que está com dificuldades para retornar ao Brasil esta semana. O ex-diretor vive em Portugal, onde serve como adido policial na embaixada brasileira. Itagiba quer realizar os depoimentos em datas próximas para que a CPI possa flagrar eventuais contradições apresentadas por Protógenes e Lacerda.
A CPI marcou para amanhã o depoimento de Walter Guerra, escrivão da Polícia Federal que teria atuado como "braço direito" de Protógenes na Operação Satiagraha. Integrantes da CPI querem detalhes sobre o material apreendido pela PF na casa do escrivão, que teria em mãos informações sigilosas sobre a operação.
Protógenes
O delegado protocolou ontem um habeas corpus preventivo no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo para ficar calado no depoimento à CPI. Os advogados do delegado pedem, por meio de liminar, que o Supremo garanta um salvo-conduto contra a obrigatoriedade de ele assinar termo de compromisso como testemunha no depoimento. Também pedem que seja garantido o direito de Protógenes permanecer calado sem que seja preso por isso e que ele tenha assistência de um advogado durante todo o depoimento.
A convocação de Protógenes pela CPI foi motivada pela reportagem da revista "Veja", que informou que ele teria usado métodos ilegais para investigar diversas autoridades dos três Poderes. Sob o comando de Protógenes, a primeira fase da operação Satiagraha prendeu o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta, entre outros denunciados. Eles foram soltos depois.
Na semana passada, Protógenes esteve no Congresso e disse que iria detalhar o envolvimento de todas as pessoas ligadas ao esquema de irregularidades da Satiagraha durante o seu depoimento.
O delegado também afirmou que iria "individualizar condutas e dizer o papel de cada pessoa" investigada. Protógenes disse ainda que há uma espécie de orquestração de denúncias contra ele para desmoralizar o resultado das investigações da Satiagraha.
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