PPS critica PF e juiz por exclusão do PT de relatório sobre investigação da Camargo Corrêa
da Folha Online
O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, criticou a Polícia Federal e o e o juiz Fausto De Sanctis, pela exclusão do PT da lista de partidos supostamente beneficiados por doações da Camargo Correa. Na semana passada, a PF deflagrou a Operação Castelo de Areia para desarticular um suposto esquema de lavagem de dinheiro --diretores e secretárias da construtora chegaram a ser presos.
A investigação revelou inicialmente que a escutas revelaram doações da Camargo Corrêa para diversos partidos políticos: PSDB, DEM, PPS, PMDB, PSB, PDT e PP. No entanto, reportagem do "Jornal Nacional" informou ontem que três partidos foram excluídos do relatório da PF: PT, PTB e PV.
"A revelação de que o PT foi omitido no relatório final Operação Castelo de Areia não deixa dúvida sobre o uso político que a Polícia Federal e o juiz Fausto de Sanctis fizeram de um caso de corrupção", disse Roberto Freire,.
Segundo ele, os partidos de oposição foram os mais prejudicados com o vazamento das informações. "Corremos o risco de ter entre nós uma polícia política; tudo isso facilitado por um juiz", advertiu Freire.
Outro lado
O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, negou nesta terça-feira que a Operação Castelo de Areia tenha beneficiado legendas da base governista nas investigações sobre o suposto repasse irregular de recursos da Camargo Corrêa para partidos políticos.
Ele disse que o juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal de Justiça, deve explicar o vazamento de informações sobre doações feitas pela Camargo Corrêa a partidos de oposição --uma vez que tornou público trecho da sua decisão judicial que autorizou a operação.
"A Polícia Federal não se moveu, não praticou nenhum ato motivado por questões partidárias ou políticas. Agora, os interlocutores é que referiram e falaram nomes de pessoas, instituições e partidos. E essas pessoas estavam sendo interceptadas legalmente. O juiz, ao dar publicidade do seu despacho de decisão se fundamentou inclusive em alguns desses. Cabe ao juiz e somente ele pode fazer isso [explicar as informações]", afirmou.
A assessoria da Justiça Federal informou que De Sanctis está desde domingo nos Estados Unidos e incomunicável. Ele viajou a convite do governo norte-americano mas o motivo da viagem é confidencial. A previsão é ela retorne a São Paulo na próxima segunda-feira (6).
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