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Brasil
01/04/2009 - 16h04

Protógenes diz que temia ser preso e algemado durante depoimento à CPI

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, conseguiu um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) para ficar calado em depoimento à CPI dos Grampos, da Câmara dos Deputados. Em entrevista hoje, ele disse que pediu o habeas corpus porque temia ser "preso e algemado" pelos parlamentares durante o depoimento.

O delegado disse ter ouvido "rumores" de que seria preso após o depoimento, e por isso decidiu antecipar-se recorrendo ao STF --que hoje acatou o pedido do delegado.

Carol Guedes/Folha Imagem
Protógenes diz que temia ser preso e algemado durante depoimento à CPI
Protógenes diz que temia ser preso e algemado durante depoimento à CPI

"Eu sempre disse que acreditava na Justiça tendo em vista rumores de predisposição da CPI de eu sair preso e algemado. Foram notícias que tomei conhecimento por meio da imprensa. Em nenhum momento ouvi isso de qualquer membro da CPI, mas tomei essa medida a fim de evitar qualquer tipo de constrangimento", afirmou.

Protógenes convocou entrevista coletiva nesta quarta-feira para comentar a decisão da CPI de adiar o seu depoimento, adiado de hoje para o dia 8 de abril. O delegado reiterou que vai esclarecer todas as dúvidas da comissão sobre eventuais contradições apresentadas por ele em seu primeiro depoimento, no ano passado.

"Eu vou reeditar tudo o que antes falei à população, a nossa indignação quanto aos fatos veiculados, a inversão dos papéis que está ocorrendo. Os investigadores passaram a ser investigados numa correlação de forças jamais vista no país", afirmou.

Segundo o delegado, as críticas à sua atuação no período em que esteve no comando da Operação Satiagraha têm como objetivo "desqualificar os trabalhos da Polícia Federal" e o seu nome. "O valor maior dos atos injustos que estão praticando é contra o delegado Protógenes. Eu tenho que esclarecer a população sobre o que está acontecendo."

Contradições

Em uma rápida conversa nesta quarta-feira com o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), Protógenes prometeu esclarecer as contradições levantadas pela comissão após o depoimento do ex-diretor geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Paulo Lacerda aos parlamentares. Lacerda e Protógenes afirmaram à CPI que a participação da Abin na Satiagraha foi "informal", mas acabaram desmentidos em depoimentos posteriores.

Itagiba, ao ser informado da presença de Protógenes no Congresso Nacional, antecipou-se em conversar com o delegado. "Essas incoerências têm que ser esclarecidas dentro da CPI. Quero fazer a oitiva [depoimento] dos dois [Lacerda e Protógenes] juntos", afirmou Itagiba ao delegado.

O presidente da CPI decidiu transferir a data depois que Lacerda solicitou que a comissão adiasse o seu depoimento, previsto para esta quinta-feira. Itagiba disse que quer ouvir Protógenes e Lacerda em datas próximas, por isso suspendeu o depoimento do delegado. A expectativa é que Lacerda seja ouvido pela comissão um dia depois de Protógenes, dia 9 de abril --embora oficialmente o depoimento do ex-diretor da Abin esteja previsto para o dia 15.

Lacerda argumentou a Itagiba que está com dificuldades para retornar ao Brasil esta semana. O ex-diretor vive em Portugal, onde serve como adido policial na embaixada brasileira.

Operação

A operação prendeu, entre outras pessoas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

Eles são suspeitos de praticar os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.

Protógenes foi afastado do comando da Satiagraha após supostos excessos cometidos na operação.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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