Protógenes diz que temia ser preso e algemado durante depoimento à CPI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, conseguiu um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) para ficar calado em depoimento à CPI dos Grampos, da Câmara dos Deputados. Em entrevista hoje, ele disse que pediu o habeas corpus porque temia ser "preso e algemado" pelos parlamentares durante o depoimento.
O delegado disse ter ouvido "rumores" de que seria preso após o depoimento, e por isso decidiu antecipar-se recorrendo ao STF --que hoje acatou o pedido do delegado.
| Carol Guedes/Folha Imagem |
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| Protógenes diz que temia ser preso e algemado durante depoimento à CPI |
"Eu sempre disse que acreditava na Justiça tendo em vista rumores de predisposição da CPI de eu sair preso e algemado. Foram notícias que tomei conhecimento por meio da imprensa. Em nenhum momento ouvi isso de qualquer membro da CPI, mas tomei essa medida a fim de evitar qualquer tipo de constrangimento", afirmou.
Protógenes convocou entrevista coletiva nesta quarta-feira para comentar a decisão da CPI de adiar o seu depoimento, adiado de hoje para o dia 8 de abril. O delegado reiterou que vai esclarecer todas as dúvidas da comissão sobre eventuais contradições apresentadas por ele em seu primeiro depoimento, no ano passado.
"Eu vou reeditar tudo o que antes falei à população, a nossa indignação quanto aos fatos veiculados, a inversão dos papéis que está ocorrendo. Os investigadores passaram a ser investigados numa correlação de forças jamais vista no país", afirmou.
Segundo o delegado, as críticas à sua atuação no período em que esteve no comando da Operação Satiagraha têm como objetivo "desqualificar os trabalhos da Polícia Federal" e o seu nome. "O valor maior dos atos injustos que estão praticando é contra o delegado Protógenes. Eu tenho que esclarecer a população sobre o que está acontecendo."
Contradições
Em uma rápida conversa nesta quarta-feira com o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), Protógenes prometeu esclarecer as contradições levantadas pela comissão após o depoimento do ex-diretor geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Paulo Lacerda aos parlamentares. Lacerda e Protógenes afirmaram à CPI que a participação da Abin na Satiagraha foi "informal", mas acabaram desmentidos em depoimentos posteriores.
Itagiba, ao ser informado da presença de Protógenes no Congresso Nacional, antecipou-se em conversar com o delegado. "Essas incoerências têm que ser esclarecidas dentro da CPI. Quero fazer a oitiva [depoimento] dos dois [Lacerda e Protógenes] juntos", afirmou Itagiba ao delegado.
O presidente da CPI decidiu transferir a data depois que Lacerda solicitou que a comissão adiasse o seu depoimento, previsto para esta quinta-feira. Itagiba disse que quer ouvir Protógenes e Lacerda em datas próximas, por isso suspendeu o depoimento do delegado. A expectativa é que Lacerda seja ouvido pela comissão um dia depois de Protógenes, dia 9 de abril --embora oficialmente o depoimento do ex-diretor da Abin esteja previsto para o dia 15.
Lacerda argumentou a Itagiba que está com dificuldades para retornar ao Brasil esta semana. O ex-diretor vive em Portugal, onde serve como adido policial na embaixada brasileira.
Operação
A operação prendeu, entre outras pessoas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.
Eles são suspeitos de praticar os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.
Protógenes foi afastado do comando da Satiagraha após supostos excessos cometidos na operação.
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