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Brasil
21/10/2003 - 22h29

D. Mauro vai à Justiça contra União por causa de acidente

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PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo Horizonte

Dom Mauro Morelli, 68, bispo de Duque de Caxias (RJ) e membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar, disse ontem que, por "questão de cidadania", vai à Justiça contra a União por causa do acidente que sofreu na BR-381 (rodovia Fernão Dias), em 19 de julho deste ano.

"No Brasil, o povo é atropelado, tem os seus eletrodomésticos queimados e sofre acidente por falta de condições nas estradas. O direito de ir e vir é um direito de cidadania. Se o Estado abre uma estrada, ela tem que estar em condições de me dar segurança. E ali não havia segurança de espécie alguma", disse.

D. Mauro, que ficou em estado grave e em coma induzido, deixou o Hospital das Clínicas de São Paulo no dia 3 de setembro. Ele sofreu fraturas e teve órgãos perfurados.

O bispo, que também faz parte do Comitê Permanente de Nutrição da ONU (Organizações das Nações Unidas), acidentou-se no km 765 da Fernão Dias (que liga Minas a São Paulo), no município de Campanha (MG). Ele disse que não havia sinalização no local.

"Pelo que eu vi, no dia seguinte [ao acidente] foram lá tentar dar uma nova sinalização. Os frentistas de um posto [de combustível] próximo deram depoimento favorável, e o laudo policial diz que nós não temos culpa", afirmou.

O Fiat Marea em que estava d. Mauro era conduzido pelo seminarista Cléber Fernandes Danelon, 25, que quebrou o pé esquerdo. O veículo bateu na cabeceira de uma ponte em construção, a 20 km de Varginha, ao ultrapassar um ônibus.

D. Mauro reassumiu na manhã de ontem a presidência do Conselho de Segurança Alimentar de Minas Gerais e foi homenageado com uma missa no Palácio dos Despachos, anexo da sede do governo mineiro, com a presença do governador Aécio Neves (PSDB-MG). Foi durante a celebração que ele anunciou que irá acionar a União na Justiça.

Outro lado

Por meio de sua assessoria de imprensa, a AGU (Advocacia Geral da União) informou que só irá se posicionar sobre a ação pretendida por dom Mauro Morelli depois que ela for protocolada na Justiça. Segundo o órgão, não há como se posicionar com base apenas em uma pretensão.
 

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