Brasil
08/04/2009 - 19h02

Saiba mais sobre o delegado Protógenes Queiroz

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da Folha Online

Delegado da Polícia Federal há cerca de dez anos, o carioca Protógenes Pinheiro de Queiroz ganhou notoriedade após comandar a primeira etapa da Operação Satiagraha, que investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. O delegado foi o responsável pelas prisões de Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, e do megainvestidor Naji Nahas. Todos foram soltos.

Logo após a deflagração da operação, em julho de 2008, o delegado foi afastado do comando das investigações pela cúpula da PF. A justificativa, na ocasião, foi um curso que o delegado teria que realizar na sede da corporação, em Brasília.

08.jul.2008/Folha Imagem
Protógenes comandou a primeira etapa da Operação Satiagraha, da Polícia Federal
Protógenes comandou a primeira etapa da Operação Satiagraha, da Polícia Federal

Quatro meses depois, Protógenes é afastado oficialmente do comando da operação. O delegado Ricardo Saadi assumiu as investigações.

Após a troca no comando, o delegado passou ser investigado por eventuais irregularidades na condução da primeira fase da operação. Ele é acusado de ter pedido informalmente a colaboração de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante as investigações, além de vazar informações da operação.

Em março deste ano, a PF indiciou Protógenes pelos crimes de violação da lei de interceptação e quebra de sigilo funcional. A denúncia, no entanto, ainda não foi apresentada pelo Ministério Público. O inquérito tramita na 7ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo.

As denúncias de irregularidades cometidas por Protógenes ganharam força com reportagem da revista "Veja", em qual o delegado é acusado de ter espionado autoridades como os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes,

Com as novas denúncias, a CPI das Escutas Telefônicas na Câmara resolveu prolongar seus trabalhos e convocar o delegado para novas explicações sobre seu trabalho na operação. Apesar de o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), defender o indiciamento de Protógenes, até então o relator, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), não pretendia incluir o pedido em seu relatório final.

02.abr.09/Folha Imagem
Delegado participa de ato político no Rio ao lado da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL)
Delegado participa de ato político no Rio ao lado da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL)

Político

Desde que foi afastado da Satiagraha, Protógenes começou a percorrer o país realizando palestras e participando de atos políticos. Criticado por sua atuação na operação, usa os eventos para se defender e passa a ser tratado como "herói nacional" por ter prendido Dantas, mais tarde solto por decisão do Supremo.

Apesar de negar a intenção de concorrer a um cargo político em 2010, admite haver um "clamor público" para que seja candidato. Sua aproximação com o PSOL e com a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) aumentam as especulações sobre suas intenções políticas.

Por sua participação na campanha de um candidato do PT nas eleições municipais do ano passado, a PF abre procedimento interno para investigar Protógenes.

Delegado

Além da Satiagraha, Protógenes também participou de operações da PF com grande repercussão. Entre elas, o operação da PF que resultou na prisão do contrabandista Law Kin Chong e as investigações de fraudes e evasão de divisas no caso Corinthians/MSI.

Desligado do DIP (Diretoria de Inteligência Policial) após o afastamento da Satiagraha, assume cargo na CGDI (Coordenação Geral de Defesa Institucional), órgão ligado à Direx (Diretoria Executiva).

Na nova função, trata de conflitos relacionados com indígenas, sem-terra e demais temas ligados à segurança institucional.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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