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Brasil
14/04/2009 - 18h10

Protógenes diz estar indignado com afastamento e nega ter falado em nome da PF em comício

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O delegado Protógenes Queiroz disse nesta terça-feira que recebeu com "tranquilidade e indignação" a decisão da Polícia Federal de afastá-lo da instituição. A PF determinou o seu afastamento até o final do processo disciplinar instaurado contra ele no último dia 3 por ter participado de um comício político, em Minas Gerais, no qual teria feito um discurso em nome da instituição.

Sérgio Lima/Folha Imagem
Protógenes Queiroz diz que seu afastamento não é praxe dentro da Polícia Federal
Protógenes Queiroz diz que seu afastamento não é praxe dentro da Polícia Federal

Em entrevista por telefone à Folha Online, Protógenes disse que vai "continuar resistindo judicialmente" para se manter na corporação. Apesar de tentar demonstrar tranquilidade com o seu afastamento e confiar na sua absolvição, o delegado afirmou que não considera a decisão da PF "praxe" da instituição.

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"Praxe seria se mais pessoas fossem afastadas além de mim. Pessoas da cúpula, essas que a CPI [dos Grampos da Câmara] está convocando", disse sem revelar nomes.

O delegado negou ter falado em nome da PF durante o comício realizado em setembro do ano passado. Protógenes disse que apenas concordou com Paulo Tadeu Silva D'Arcádia, então candidato do PT a prefeito de Poços de Caldas (MG), quando ele exaltou os trabalhos da Polícia Federal.

"Eles falam em atuação política em comício, mas não houve isso. É uma informação mentirosa. Eu não tenho filiação partidária nenhuma, busquei contribuir com a moralidade administrativa. Ele [candidato] ressaltava o trabalho da Polícia Federal como uma instituição importante para o Brasil, eu lógico que admiti isso. Como cidadão, eu tenho que ressaltar os trabalhos da Polícia Federal", afirmou.

Protógenes afirmou que vai sempre falar contra a "impunidade e a corrupção" mesmo que venha a enfrentar futuros processos administrativos dentro da PF. "A leitura que eu tenho é o contrário. Eu vou continuar falando contra a impunidade e a corrupção e poderei responder a quantos processos forem necessários por falar. Isso é um dever nosso."

O delegado confirmou que pediu formalmente à PF para ter acesso ao processo disciplinar que ele responde pela sua participação no comício. "Eu já fiz essa solicitação, eles [PF] não me deram acesso até a presente data."

O processo disciplinar da Polícia Federal pode resultar na demissão do delegado se, ao final das investigações, ficar comprovado que ele infringiu as normas da PF ao falar pela instituição durante o comício político. A PF decidiu pelo afastamento de Protógenes no último dia 9.

Protógenes já responde a um segundo processo disciplinar na Polícia Federal por suspeitas de vazamento de informações da Operação Satiagraha.

Lula

Questionado sobre a suposta orientação do Palácio do Planalto para deflagrar a Operação Satiagraha, Protógenes disse que havia interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, fosse investigado durante a operação. "Evidente que tem interesses do presidente [Lula] uma vez que o banqueiro tem mais de mil concessões de exploração do nosso subsolo", afirmou.

Na semana passada, ao prestar depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, Protógenes manteve-se em silêncio quando questionado sobre a suposta determinação do presidente Lula para a realização da Operação Satiagraha.

O presidente da comissão, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que o delegado "perdeu a oportunidade" de esclarecer detalhes da operação.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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