Dantas diz que PF tem gravações adulteradas da Satiagraha e ataca Protógenes
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Atualizado às 13h07.
O banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, disse hoje que as gravações telefônicas originais realizadas pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha "desapareceram" da instituição. A operação investiga supostos crimes financeiros atribuídos a Dantas.
| Alan Marques/Folha Imagem |
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| Daniel Dantas depõe para a CPI dos Grampos e diz que PF tem gravações ilegais |
Em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, Dantas disse que a PF se baseia apenas em cópias que foram "adulteradas" ao longo das investigações, mas não apresentou detalhes das supostas adulterações. A assessoria da PF informou às 13h07 que não vai se manifestar, por enquanto, sobre as declarações de Dantas.
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O banqueiro ainda acusou a equipe do delegado Protógenes Queiroz, que comandou a primeira fase da Satiagraha, de realizar gravações telefônicas clandestinas durante a operação.
"Segundo informações que temos, os originais [das gravações] desapareceram. Está tudo sendo baseado em cima de cópias. As gravações telefônicas estão adulteradas [...] O senhor Protógenes grampeou todos os nossos telefones, com autorização judicial, sem autorização judicial", afirmou.
O banqueiro disse que, ao longo da Satiagraha, foram realizadas mais de 300 horas de gravações telefônicas --muitas delas ilegais.
Dantas negou ter espionado as ações de Protógenes durante a Satiagraha, como denunciado pelo delegado à CPI na semana passada. "O senhor Protógenes quer se colocar de vítima da situação. Nunca monitoramos o senhor Protógenes Queiroz. Eu só sabia que era uma investigação que acontecia a pedido do delegado Paulo Lacerda [ex-diretor geral da Abin]", afirmou.
A reportagem não conseguiu falar com Protógenes. O advogado de Protógenes também não atendeu às ligações da reportagem.
Espionagem
Dantas sugeriu que Protógenes teria agido para beneficiar interesses de empresas adversárias ao Opportunity durante o processo de fusão da Oi com a Brasil Telecom.
"Nós tínhamos a nítida impressão de que as informações de nossas estratégias empresariais eram repassadas aos nossos concorrentes em disputas empresariais. Estou afirmando que interesses empresariais estavam nessas informações. Eu não desconfiei que era através da Polícia Federal", disse o banqueiro.
Dantas confirmou que Protógenes apreendeu, em sua residência, um armário com HDs e discos rígidos de computadores com seus arquivos pessoais. "Como eu tinha sido vítima de intenso monitoramento e interceptação, eu criptografei todos os meus arquivos. Ele [Protógenes] faz uma celeuma como se fosse criptografia das estrelas. Essa criptografia foi feita com três programas, um deles de um site que oferece o programa gratuito", afirmou.
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