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Brasil
22/04/2009 - 11h19

Agropecuária no Pará diz que sem-terra controlam entrada de fazenda; MST nega

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da Folha Online

A Agropecuária Santa Bárbara informou nesta quarta-feira que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) controla a entrada principal da fazenda Espírito Santo, às margens da rodovia PA-150, entre Xinguara e Eldorado dos Carajás (PA).

"Só entra na propriedade quem o MST quer. Os funcionários da fazenda não ousam utilizar a entrada principal. E a imprensa enfrenta muitos problemas para entrar. Alguns não conseguem. Os funcionários da Espírito Santo só não estão em cárcere privado porque utilizam, quando absolutamente indispensável, saída alternativa por propriedades vizinhas, onde enfrentam estradas precárias e várias cancelas para acessar a rodovia PA-150", diz nota da agropecuária.

O movimento, no entanto, nega a informação e afirma que os trabalhadores fecham a rodovia PA-150, e não a entrada da fazenda.

Segundo a agropecuária, que tem o banqueiro Daniel Dantas entre os proprietários, os sem-terra possuem armas de fogo e não apenas armas de caça e instrumentos de trabalho.

O MST, no entanto, nega, afirmando que, além dos sem-terra, há no local membros da Fetraf (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar) e posseiros. "Os posseiros estão armados."

MST

Em nota divulgada na segunda-feira, o MST afirma que ninguém foi feito refém na região e que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara.

"Os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar", diz a nota.

Na segunda-feira, a Polícia Civil do Pará começou a colher depoimentos de integrantes do MST no inquérito que apura o confronto do último sábado com seguranças da fazenda.

Os advogados da Agropecuária Santa Bárbara prometeram entregar à polícia um vídeo do conflito, que deixou nove feridos a bala --oito sem-terra e um funcionário da empresa de segurança privada da fazenda.

Nota

Na segunda-feira, a ANJ divulgou nota sobre o conflito no Pará. "É injustificável e condenável sob todos os aspectos que se atente dessa forma contra a integridade física das pessoas, num revoltante descaso com a vida humana. Além disso, os integrantes do MST atentaram contra o livre exercício do jornalismo, aterrorizando profissionais que cobriam o evento com objetivo de informar à sociedade. Felizmente, ninguém saiu fisicamente ferido dessa ação criminosa."

Governo

Já o governo do Pará afirma, em nota, que solicitou ao governo federal, no dia 2 de abril de 2009, que a Força Nacional, que já se encontrava no Estado desde o Fórum Social Mundial, lá permanecesse por mais 60 dias, até o final de maio.

"Não existe, até o momento, mandado de reintegração para a fazenda Espírito Santo. A segurança estadual agiu quando houve ação criminosa. O governo reafirma sua posição de que não aceitará ilegalidades e nem excessos de quem quer que seja. O governo do Estado não vai permitir que se promovam massacres como o de Eldorado de Carajás."

 

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