Brasil
24/04/2009 - 11h45

Grupo na Câmara articula contra projeto de resolução que restringe uso de cota de passagens

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MÁRCIO FALCÃO
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Um grupo de deputados começou a articular a elaboração de uma emenda para modificar o projeto de resolução elaborado pela Mesa Diretora da Câmara que estabelece restrições para o uso da cota de passagens aéreas. A ideia é permitir que parte do benefício possa custear os bilhetes de mulheres ou maridos, filhos e dependentes mais próximos em viagens do Estado de origem do parlamentar para Brasília.

Não seria definido um limite para o número de deslocamento desses familiares, mas todos precisariam de autorização da terceira secretaria, que administra estes gastos.

Pela proposta que deve ser votada na próxima terça-feira pelo plenário da Casa, a cota só pode ser utilizada pelo próprio parlamentar e por um assessor credenciado. Os deputados argumentam que o mandato parlamentar é uma representação oficial e que, portanto, quando deixa seu Estado para vir a Brasília estaria em missão oficial.

O deputado Silvio Costa (PMN-PE), que foi ao plenário da Câmara reclamar das regras e chegou a dizer que elas poderiam provocar até o fim de seu casamento, defende a flexibilização das medidas.

Apesar da mobilização, o deputado, que assumiu o mandato em 2007, sustenta que sua mulher só veio duas vezes a Brasília. "O presidente quando está em missão oficial leva a esposa. Então, nós, no exercício diário do nosso mandato, também estamos em missão e podemos ter o direito de escolher se levamos ou não nossa família", afirmou.

Costa afirma que não é um recuo, mas sim uma adequação à realidade dos deputados. Para o parlamentar, houve exagero na utilização dos benefício, mas por causa da falta de uma norma clara.

Os filhos do deputado também tiveram bilhetes pagos pela Câmara e foram Londres e Buenos Aires. "É bom deixar claro que sou contra a farra das passagens. Houve exagero, houve abuso, mas por falta de regras. Quando cheguei aqui me disseram que tudo era permitido. Portanto, o que houve foi uma omissão desde a criação de Brasília. Omissão do Ministério Público, da imprensa, de cada um dos 513 deputados que esteve no Congresso nos últimos 49 anos, afinal, isso sempre existiu", afirmou.

O anúncio das restrições para o uso da cota de passagens causou mal estar no Congresso. Pressionado pelos colegas, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), recuou e resolveu submeter as mudanças ao plenário.

As mudanças poderiam ser referendadas por ato da Mesa Diretora da Câmara, mas, para evitar o desgaste, Temer decidiu apresentar projeto de resolução. "Vocês viram que deu confusão. O Senado fez por projeto de resolução. Se não fizermos, fica ruim. É melhor para dar legitimidade", disse.

Comentários dos leitores
O Pacificador (88) 11/11/2009 14h05
O Pacificador (88) 11/11/2009 14h05
Em 1989, Erundina colocou um anúncio na Folha (pena que a Folha não tenha mostrado o reprint...), incitando uma greve de ônibus.
Foi condenada.
Incitar greves, ainda é crime. Principalmente, se isso partir de uma autoridade, responsável pela seguança e bem estar, da população que a elegeu como prefeita na época.
Com toda tranquilidade posso dizer, bem feito!
A justiça, demorou, mas foi feita.
sem opinião
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É hilário. Tudo de ruim que o FHC fez a turma do PT acha que o LULA pode fazer em dobro. O governo LULA dá dinheiro pra Bolíveia, para Angola, reajusta bolsa escola acima da inflação, salário dos funcionário acima da inflação, somente os aposentados é que não pode receber o que lhes foi tomado. Nossa revanche vai ser nas eleições. Aposentado que tem vergonha não vota no PT. sem opinião
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nelson zarro (66) 10/11/2009 21h37
nelson zarro (66) 10/11/2009 21h37
Eu estou vendo gente metendo o pau no PT por causa desse aumento dos aposentados que ganham mais que um salario minimo ter aumento menor dos que ganham só um. Tudo bem, isso poderia ser corrigido.Agora,não pode ser esquecido que isso foi aprovado no governo Fernando Henrique do PSDB e sua tropa de choque no congresso na época.Inclusive o PMDB. 3 opiniões
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